A Bybit lançou opções de Tether Gold (XAUT), com liquidação em USDT e suporte de liquidez da Orbit Markets. O produto leva uma estrutura clássica do mercado de ouro para dentro de uma corretora cripto e reforça a disputa por derivativos ligados a ativos tokenizados.
A Bybit lançou negociação de opções para o Tether Gold (XAUT), token lastreado em ouro físico, em mais um movimento para aproximar derivativos tradicionais do mercado cripto. Segundo comunicado da própria exchange e cobertura do CoinDesk, os contratos são liquidados em USDT e foram desenhados para permitir hedge, exposição à volatilidade e estratégias customizadas sobre o preço do ouro tokenizado.
O lançamento importa porque o ouro já tem um mercado robusto de derivativos fora do blockchain, enquanto a tokenização de ativos reais ainda busca produtos com liquidez suficiente para atrair traders profissionais. A entrada de uma exchange global como a Bybit pode acelerar esse teste: transformar um ativo tokenizado em algo que não serve apenas para compra e custódia, mas também para operações estruturadas.
Como funcionam as opções de XAUT
De acordo com a Bybit, as opções de XAUT são contratos de estilo europeu, liquidados em USDT. Cada contrato corresponde a um token XAUT, que representa uma onça troy de ouro físico. Na prática, o trader pode usar calls e puts para montar posições direcionais, proteger exposição ao metal ou operar volatilidade sem precisar negociar contratos tradicionais de commodities.
A exchange também afirmou que trabalha com a Orbit Markets para prover liquidez institucional desde o início. O ponto é relevante porque derivativos de nicho costumam falhar não por falta de narrativa, mas por spreads largos, pouca profundidade e dificuldade de execução em tamanho maior.
Opções dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço definido em uma data futura. Para o usuário comum, isso significa que o produto é mais sofisticado e arriscado do que simplesmente comprar XAUT no mercado spot. Para desks profissionais, porém, o contrato abre espaço para hedge e arbitragem entre ouro, stablecoins e criptoativos.
Tokenização ganha uma camada de derivativos
O movimento da Bybit vem em um momento em que a tokenização de ativos reais, ou RWA, deixou de ser apenas discurso institucional e começou a aparecer em produtos de varejo e DeFi. O CriptoBR já mostrou como a Tether levou ouro tokenizado ao cartão Visa com a Fasset, ampliando o uso de XAUT para além da negociação em corretoras.
Também não é a primeira vez que o ouro tokenizado ganha tração em ciclos de incerteza macro. Em março de 2025, o mercado de ouro tokenizado superou US$ 1,4 bilhão em capitalização, sinalizando demanda por versões digitais de ativos considerados defensivos. A diferença agora é que o foco sai da simples exposição ao metal e entra na infraestrutura de derivativos.
Para a Bybit, o produto ajuda a reposicionar a exchange depois de um período em que plataformas cripto vêm tentando diversificar receita com contratos mais sofisticados. O CriptoBR também acompanhou a expansão da corretora em stablecoins, como no caso em que a Bybit levou uma stablecoin ligada à Western Union ao mercado cripto.
O que o investidor precisa observar
A novidade não elimina os riscos. Opções podem proteger uma carteira, mas também podem amplificar perdas quando usadas sem controle de prazo, strike e volatilidade implícita. Além disso, XAUT depende da confiança no emissor, na custódia do ouro físico e na liquidez de mercado para manter sua utilidade em momentos de estresse.
Mesmo assim, o lançamento mostra uma direção clara: exchanges querem transformar RWAs em instrumentos negociáveis com a mesma flexibilidade dos derivativos cripto. Se houver profundidade real no livro e demanda de desks profissionais, o ouro tokenizado pode deixar de ser apenas uma tese defensiva e virar uma peça de mercado mais ativa dentro do ecossistema de stablecoins e DeFi.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





