A Bybit passou a dar acesso à USDPT, stablecoin em dólar da Western Union emitida pela Anchorage Digital Bank na Solana. A integração leva o token de uma proposta de liquidação e remessas para um ambiente de exchange, aumentando liquidez e distribuição em meio à corrida das grandes empresas de pagamentos por stablecoins.
A Bybit integrou a USDPT, stablecoin em dólar da Western Union, aos seus canais fiat, marcando a primeira entrada do token em uma grande exchange cripto. O anúncio, feito em 4 de junho pela Bybit e pela Western Union, coloca a stablecoin em um novo estágio: além de servir como infraestrutura para pagamentos e remessas, ela passa a ter acesso direto a usuários de mercado, liquidez e transferências em ambiente cripto.
A USDPT é emitida pela Anchorage Digital Bank N.A. e foi construída na blockchain Solana. Segundo o comunicado distribuído pela PRNewswire, usuários da Bybit poderão acessar o ativo para manter, negociar e transferir valor, enquanto a Cointelegraph destacou que a integração expande a stablecoin da Western Union para além do trilho de pagamentos tradicional.
Por que a integração importa
O ponto central não é apenas mais uma listagem de stablecoin. A Western Union opera uma das redes de transferência de dinheiro mais conhecidas do mundo, enquanto a Bybit está entre as maiores exchanges por volume. Ao conectar esses dois lados, a USDPT ganha uma ponte entre infraestrutura financeira tradicional e liquidez cripto.
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla. Nesta semana, o CriptoBR mostrou que a MoneyGram lançou a MGUSD na Stellar, também mirando pagamentos globais e remessas. Antes disso, a Mastercard ampliou liquidação com stablecoins, incluindo USDC, PYUSD e RLUSD em novas opções para emissores e adquirentes.
Na prática, stablecoins estão deixando de ser apenas ferramentas de traders para virar peças de infraestrutura. Elas podem reduzir fricção em transferências internacionais, permitir liquidação fora do horário bancário e criar alternativas para empresas que precisam movimentar caixa entre moedas, jurisdições e plataformas.
USDPT entra na disputa dos pagamentos globais
A Western Union já havia lançado a USDPT em maio, com a proposta de usar uma stablecoin regulada para liquidação em sua rede de pagamentos. O token é lastreado em dólar e emitido por uma instituição bancária regulada nos Estados Unidos, um desenho pensado para conversar com as exigências do mercado institucional e com a legislação americana de stablecoins.
Agora, ao chegar à Bybit, o ativo ganha um canal de distribuição mais próximo do usuário cripto. Isso pode ajudar a USDPT a competir por liquidez com stablecoins já consolidadas, embora o caminho ainda seja longo: USDT e USDC seguem dominando pares de negociação, reservas de corretoras e fluxos DeFi.
O timing também chama atenção. De acordo com dados citados pela Cointelegraph, o mercado de stablecoins em dólar se aproxima de US$ 320 bilhões, mesmo em um momento de pressão nos preços de Bitcoin e altcoins. Em outras palavras, a busca por dólares tokenizados continua forte mesmo quando o apetite por risco diminui.
O que o leitor deve acompanhar
Para usuários brasileiros, a notícia importa menos pelo acesso imediato à USDPT e mais pelo sinal de mercado. Empresas de remessas, redes de cartão, bancos digitais e exchanges estão disputando quem controla a camada de liquidação dos pagamentos globais. Se stablecoins ganharem escala nesse setor, o impacto pode aparecer em custos, velocidade e disponibilidade de transferências internacionais.
Também há riscos. Stablecoins dependem de reservas, governança, compliance e integração com sistemas bancários. A entrada de marcas tradicionais pode aumentar a confiança institucional, mas também concentra parte da infraestrutura em emissores e intermediários regulados.
O movimento da Bybit com a Western Union reforça a mesma leitura observada em outras frentes recentes do setor: a próxima disputa das stablecoins não será apenas por quem tem o maior valor de mercado, mas por quem consegue virar trilho real de pagamentos. Como mostramos na análise sobre stablecoins superando reservas de dezenas de países, o tamanho desse mercado já começa a ter peso macroeconômico.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





