Um minerador solo encontrou o bloco 957.382 do Bitcoin usando um Bitaxe de cerca de US$ 150 e recebeu 3,1382 BTC, perto de US$ 200 mil. O caso chama atenção porque mostra que pequenos operadores ainda podem participar da rede, mas a probabilidade segue extremamente baixa.
Um minerador solo de Bitcoin transformou um equipamento de baixo custo em uma recompensa de cerca de US$ 200 mil após encontrar o bloco 957.382 da rede. Segundo a CoinDesk, o operador usava um Bitaxe, minerador ASIC aberto e do tamanho aproximado de um cartão, conectado ao serviço Public Pool.
A recompensa foi de 3,1382 BTC, soma que inclui o subsídio de 3,125 BTC por bloco e aproximadamente 0,0132 BTC em taxas de transação. O caso viralizou porque o equipamento custa entre US$ 60 e US$ 150 e operava com uma taxa média próxima de 995 GH/s, ou cerca de 1 TH/s, potência muito pequena perto das fazendas industriais que dominam a mineração global.
O Public Pool publicou o registro do achado no X:
https://x.com/Public_Pool_BTC/status/2075431013497356538
Como um Bitaxe encontrou um bloco inteiro
O Bitaxe Gamma é um minerador ASIC open-source baseado no chip BM1370, o mesmo tipo de componente usado em máquinas industriais da linha Antminer S21. A diferença está na escala: enquanto operações profissionais agrupam milhares de equipamentos, o Bitaxe entrega algo em torno de 1 a 1,3 TH/s e consome cerca de 15 a 21 watts.
Na prática, isso coloca o equipamento no campo da mineração hobby, não da operação comercial. O minerador ficou conectado ao Public Pool por cerca de oito horas antes de submeter o hash vencedor. Por ser uma pool de mineração solo, a recompensa não foi dividida com outros participantes.
O ponto importante é que o resultado não muda a matemática da mineração. A CoinDesk estimou que um dispositivo nesse patamar de hashrate teria expectativa média de encontrar um bloco apenas uma vez em cerca de 18 mil anos. Em outras palavras: o episódio é possível porque o Bitcoin funciona por tentativa e erro criptográfico, mas continua sendo um evento estatisticamente extremo.
Mineração solo ganha visibilidade em 2026
O caso também acontece em um momento em que a mineração solo voltou a ganhar atenção. De acordo com os dados citados pela CoinDesk, mineradores solo encontraram 24 blocos nos últimos 12 meses, alta de 41% em relação ao ano anterior. Só em 2026, foram 12 blocos.
Essa tendência não significa que pequenos equipamentos passaram a competir em pé de igualdade com grandes mineradoras. Significa que mais usuários estão testando pools solo, dispositivos baratos e modelos alternativos de participação. Como o CriptoBR já mostrou em uma análise sobre o retorno da mineração solo, essas vitórias funcionam mais como uma loteria técnica do que como estratégia previsível de renda.
O pano de fundo é um setor pressionado. Com o Bitcoin ainda negociando perto da faixa de US$ 60 mil a US$ 63 mil, a rentabilidade das mineradoras segue sensível a energia, dificuldade e preço do ativo. Em outra frente, empresas como a IREN vêm buscando receitas em data centers e inteligência artificial, como abordado na matéria IREN aposta em IA e expõe nova rota da mineração.
Por que isso importa para o Bitcoin
O episódio reforça uma característica central do Bitcoin: qualquer operador que consiga produzir um hash válido pode propor o próximo bloco, mesmo que suas chances sejam mínimas. Isso ajuda a explicar por que a mineração solo tem apelo entre entusiastas de descentralização, ainda que a maior parte do hashrate continue concentrada em estruturas profissionais.
Para o leitor, a principal leitura é de cautela. Um Bitaxe pode servir como ferramenta educacional e como forma de participação direta na rede, mas não deve ser tratado como investimento com retorno esperado positivo. A recompensa de 3,1382 BTC é real; a repetição desse resultado, para um equipamento de 1 TH/s, é improvável.
O caso também se conecta ao momento do mercado. Como reportado pelo CriptoBR em Bitcoin trava em US$ 62 mil enquanto holders giram oferta, a rede segue atravessando uma fase de rotação de oferta e pressão sobre margens. Para grandes mineradoras, isso exige eficiência. Para pequenos operadores, a mineração solo segue sendo participação de alto risco, alta variância e baixa previsibilidade.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





