O mercado de tokens lastreados em ouro atingiu um marco significativo em março, com a capitalização de mercado alcançando o recorde de US$ 1,4 bilhão, impulsionado por um aumento expressivo nos volumes de negociação. O relatório mensal de stablecoins da CoinDesk Data destaca o desempenho robusto, evidenciando o crescente interesse por ativos digitais vinculados a commodities.
O XAUT, token de ouro da Tether, e o PAXG, da Paxos, lideraram o mercado, com capitalizações de US$ 749 milhões e US$ 653 milhões, respectivamente. Esse crescimento coincide com o rali do ouro físico, que ultrapassou a marca histórica de US$ 3.000 por onça, refletindo o crescente apetite dos investidores por ativos considerados seguros em períodos de incerteza.
Em março, o volume de negociação de tokens lastreados em ouro superou US$ 1,6 bilhão, representando o maior nível em mais de um ano. Esse desempenho ressalta a dinâmica de um mercado que tem se mostrado resiliente e atrativo para investidores que buscam proteção contra a volatilidade de mercados tradicionais.
O mercado geral de stablecoins, incluindo tokens vinculados a moedas fiduciárias e commodities, também registrou crescimento expressivo. O valor total ultrapassou US$ 231 bilhões em março, marcando o 18º mês consecutivo de expansão. Nesse cenário, o USDT, stablecoin da Tether, alcançou um fornecimento recorde de US$ 144 bilhões, embora sua participação de mercado tenha diminuído para 62,1%, o menor patamar desde março de 2023, diante do aumento da concorrência.
O USDC, stablecoin da Circle, consolidou-se como a segunda maior do mercado, com um crescimento de 7% no mês, totalizando quase US$ 60 bilhões em capitalização. Além disso, o mercado descentralizado viu a entrada da USDtb, stablecoin lançada pelo protocolo financeiro Ethena, que utiliza o fundo de mercado monetário tokenizado BUIDL, da BlackRock, como ativo de reserva. Rapidamente, o ativo absorveu mais de US$ 1 bilhão e se tornou o oitavo maior em capitalização de mercado.
Nos volumes de negociação em bolsas centralizadas, o USDT manteve a liderança, apesar de uma leve queda, com um domínio de 75,7% entre as dez principais stablecoins. Paralelamente, o USDC e o FDUSD, da First Digital, sediada em Hong Kong, viram seus volumes de negociação crescerem para 13,6% e 10%, respectivamente.

Mudanças regulatórias também estão influenciando o mercado de stablecoins denominadas em euros. Com a implementação da estrutura regulatória Markets in Crypto-Assets (MiCA), exchanges como Kraken, Coinbase e Crypto.com ajustaram suas ofertas para cumprir os novos padrões. Nesse contexto, a stablecoin EURC, da Circle, se destacou ao crescer quase 30%, alcançando uma capitalização de mercado de US$ 157 milhões e uma participação de 45% entre todas as stablecoins em euros.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...




