A Pump.fun gerou US$ 124,7 milhões no primeiro trimestre de 2026 e foi a maior aplicação por receita na Solana, segundo a Messari. O dado mostra que a economia de apps da rede segue dependente de trading e memecoins, enquanto o mercado de RWAs na Solana cresceu 43% no trimestre.
A Pump.fun continuou sendo a principal fonte de receita da Solana no primeiro trimestre de 2026, mesmo com o esfriamento do mercado de memecoins. Segundo o relatório State of Solana Q1 2026, publicado pela Messari, a launchpad gerou US$ 124,7 milhões no período, alta de 17% em relação ao trimestre anterior.
O número representa mais de um terço dos US$ 342,2 milhões em receita total de aplicações da rede, métrica que a Messari chama de “Chain GDP”. A leitura é importante porque mostra uma Solana com duas narrativas rodando ao mesmo tempo: a atividade especulativa de tokens pequenos ainda sustenta boa parte da receita, mas a tokenização de ativos reais também ganhou tração no trimestre.
Pump.fun ainda domina a receita da Solana
De acordo com a Messari, as launchpads geraram US$ 144 milhões no primeiro trimestre, cerca de 42% da receita de aplicações da Solana. Dentro desse grupo, a Pump.fun foi o destaque absoluto, com US$ 124,7 milhões em receita, acima de apps como Axiom, Phantom e Jupiter.
O desempenho chama atenção porque a própria Messari aponta que a atividade ampla em memecoins perdeu força. A explicação está na mudança de comportamento dos traders: menos apostas concentradas e de longa duração, mais operações rápidas em uma base maior de tokens. O tempo médio de retenção de tokens na Solana caiu de 81 segundos no quarto trimestre de 2025 para 57 segundos no primeiro trimestre de 2026.
Esse ambiente favorece ferramentas de descoberta e execução rápida. Axiom, por exemplo, apareceu como a segunda aplicação de maior receita da rede, com US$ 42,4 milhões, alta de 36% no trimestre. O movimento reforça uma tendência que o CriptoBR já vinha acompanhando na disputa entre redes por volume on-chain, como na matéria sobre Ethereum encostando na Solana em volume DEX.
RWAs crescem enquanto DeFi sente queda do SOL
O relatório também mostra avanço forte em ativos do mundo real, conhecidos como RWAs. O valor de mercado de RWAs na Solana cresceu 43% no trimestre e chegou a US$ 2,01 bilhões. A Messari atribui parte do avanço ao crescimento do fundo tokenizado BUIDL, da BlackRock, que dobrou para US$ 525,4 milhões após suporte de custódia da Anchorage Digital.
Outros ativos tokenizados também ganharam espaço, incluindo PRIME, que subiu 124% no trimestre, e ONyc, que avançou 101%. Esse ponto aproxima a Solana de uma narrativa que vem ganhando força no mercado tradicional: tokenização como infraestrutura para crédito, tesouraria e produtos financeiros programáveis. O tema também apareceu no CriptoBR em coberturas sobre a rota do Reino Unido para tokenização 24/7 e sobre o debate de tokenização no Congresso dos EUA.
Ao mesmo tempo, o DeFi da Solana sentiu a queda do preço do SOL. O valor total bloqueado caiu 22% no trimestre, para US$ 6,16 bilhões. A Messari afirma, porém, que a contração foi puxada principalmente pela desvalorização de 33% do SOL no período, e não por uma saída proporcional de usuários. A participação da Solana no TVL total de DeFi ficou praticamente estável, em 6,7%.
Alpenglow entra no radar técnico
Além das métricas de receita, o relatório destaca o Alpenglow como a atualização de consenso mais relevante no horizonte da rede. A proposta mira a versão Agave 4.1 e pretende reduzir a finalização de transações de cerca de 12,8 segundos para 150 milissegundos.
Essa mudança, se entregue como planejado, pode reforçar a tese de Solana como infraestrutura de baixa latência para trading, pagamentos e aplicações que exigem resposta quase instantânea. O CriptoBR já explicou o peso dessa atualização na cobertura sobre os testes do Alpenglow na Solana.
Para o investidor, a leitura é menos simples do que “memecoins estão fortes” ou “instituições chegaram”. A receita da Solana ainda é muito ligada a ciclos especulativos, mas o crescimento de RWAs e a evolução técnica da rede indicam que a disputa por aplicações reais está ficando mais ampla. O próximo teste será transformar esse volume de atividade em uso recorrente que sobreviva fora dos picos de hype.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





