A Paradigm anunciou um quarto fundo de US$ 1,2 bilhão para investir em tecnologia de fronteira, incluindo IA, robótica e cripto. O movimento mostra que uma das gestoras mais conhecidas do setor quer capturar a convergência entre blockchain, agentes autônomos e novos mercados digitais.
A Paradigm, uma das gestoras de venture capital mais influentes do mercado cripto, anunciou nesta quarta-feira (8) um quarto fundo de US$ 1,2 bilhão para apoiar empresas de “tecnologia de fronteira”. O novo veículo amplia o escopo da firma para inteligência artificial, robótica e outras áreas, mas mantém cripto como parte central da tese.
Em comunicado assinado por Matt Huang e Alana Palmedo, a Paradigm afirmou que o fundo vai apoiar fundadores “na fronteira da tecnologia” e citou investimentos em empresas como Zipline, True Anomaly, Nous Research, Hyperliquid, Tempo e Kalshi. Na prática, a gestora tenta se posicionar onde cripto, IA e mercados digitais começam a se cruzar.
Paradigm amplia mandato sem largar cripto
A mudança é relevante porque a Paradigm nasceu em 2018 como uma casa essencialmente cripto, fundada por Matt Huang e Fred Ehrsam, cofundador da Coinbase. Desde então, a firma ganhou peso ao apoiar protocolos, infraestruturas e empresas ligadas a exchanges, DeFi, segurança e mercados on-chain.
Agora, o discurso é mais amplo. A gestora diz que seguirá investindo na “reinvenção dos mercados e do sistema financeiro”, mas também quer participar de setores como IA aberta, entrega autônoma por drones, manufatura rápida e defesa espacial. Segundo o anúncio, a abordagem continua sendo técnica: pesquisar, construir e investir junto com os fundadores.
Esse ponto reduz a leitura de que o fundo representa uma saída de cripto. A própria Paradigm citou Hyperliquid, Tempo e Kalshi como exemplos de apostas ligadas a mercados digitais, stablecoins e plataformas de previsão. Segundo o CoinDesk, o veículo também já inclui apostas fora do núcleo cripto, como Zipline e True Anomaly. O CriptoBR já mostrou como a Morpho levantou US$ 175 milhões para crédito onchain com participação da Paradigm, e como a Tempo vem sendo usada por players institucionais no avanço das stablecoins.
IA vira disputa por infraestrutura financeira
O anúncio também mostra uma mudança no centro de gravidade do venture capital. IA passou a competir com cripto por capital, talentos e atenção, mas as duas teses não são necessariamente rivais. Para investidores como a Paradigm, agentes autônomos, blockchains, stablecoins e mercados programáveis podem formar a infraestrutura de uma nova camada financeira digital.
Essa convergência já aparece em produtos de mercado. Protocolos tentam automatizar liquidez, agentes de IA começam a executar tarefas financeiras e plataformas de previsão disputam espaço como fonte de informação em tempo real. O CriptoBR acompanhou esse movimento em matérias sobre a discussão da SEC sobre mercados onchain e IA financeira e sobre a perda de mercados de OpenAI e Anthropic pela Hyperliquid.
Para o leitor, o ponto principal é que grandes investidores cripto estão evitando uma tese estreita demais. Em vez de apostar apenas em tokens ou protocolos isolados, a Paradigm está montando uma carteira que combina infraestrutura financeira, software autônomo e tecnologia física. Isso pode trazer mais capital para projetos que conectem blockchain a casos de uso fora do ciclo tradicional de DeFi.
O que muda para o mercado
No curto prazo, o fundo não muda preços de tokens nem garante uma nova onda de investimentos em cripto. Ele sinaliza, porém, que uma das casas mais técnicas do setor vê valor em continuar próxima do ecossistema enquanto expande o radar para IA e robótica.
O risco é que parte do capital que antes iria para startups cripto puras passe a disputar oportunidades em outras verticais. Por outro lado, projetos que combinem stablecoins, agentes autônomos, mercados preditivos, infraestrutura on-chain e segurança podem ficar mais atraentes para investidores institucionais.
A Paradigm também reforçou que continuará desenvolvendo ferramentas próprias, incluindo Foundry, Reth, Centaur e trabalhos de segurança como o EVMbench, colaboração com a OpenAI. Isso indica que a firma quer preservar a identidade técnica que construiu no setor cripto, mesmo com um mandato mais amplo.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





