A B3 colocou em negociação opções sobre futuros de Bitcoin, Ether e Solana, ampliando o cardápio de derivativos cripto regulados no Brasil. Os contratos liquidam em futuros, não em criptoativos à vista, e miram traders e gestores que precisam de hedge, volatilidade e estruturação local.
A B3 passou a oferecer opções sobre futuros de Bitcoin, Ether e Solana, em mais um passo da bolsa brasileira para transformar criptoativos em instrumentos negociados dentro do mercado regulado. Segundo circular da própria B3, os contratos ficaram disponíveis para negociação em 6 de julho de 2026.
A novidade importa porque adiciona uma camada de sofisticação ao mercado cripto local: em vez de apenas comprar ou vender exposição direcional, traders, assets e mesas profissionais ganham ferramentas para hedge, estratégias com volatilidade e montagem de posições estruturadas sem recorrer, necessariamente, a plataformas offshore.
O que exatamente a B3 lançou
De acordo com a circular 025/2026-VPC da B3, os novos produtos incluem opções de compra e venda sobre futuros de Bitcoin em reais, além de opções de compra e venda sobre futuros de Ethereum e Solana. O documento afirma que as opções são derivativos padronizados cujo ativo subjacente é o contrato futuro cripto já listado na própria bolsa.
Na prática, quem exerce uma opção não recebe Bitcoin, Ether ou Solana em carteira. A liquidação leva o investidor a uma posição no contrato futuro correspondente. A B3 também reforça que a negociação, a liquidação e o exercício desses instrumentos não envolvem custódia, transferência ou administração de criptoativos à vista.
Esse detalhe separa a iniciativa de uma oferta cripto nativa. O produto fica dentro da infraestrutura tradicional de bolsa, com negociação em ambiente organizado e supervisão da CVM, enquanto a exposição econômica acompanha os futuros referenciados aos índices cripto da Nasdaq.
Por que isso importa para o mercado brasileiro
O movimento amplia a ponte entre cripto e mercado financeiro tradicional no Brasil. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o investimento da Tether no Mercado Bitcoin, players globais continuam vendo o país como um mercado relevante para produtos financeiros ligados a ativos digitais.
As opções também chegam em um momento em que o investidor local já acompanha produtos cada vez mais variados. Nos últimos dias, o mercado viu novas leituras sobre fluxos de Bitcoin entre baleias e ETFs e a retomada de preço do ativo acima de níveis técnicos importantes. Agora, a B3 tenta oferecer uma alternativa local para quem quer operar essa volatilidade com instrumentos tradicionais.
Para gestores, uma opção sobre futuro pode servir para proteger carteiras, montar operações de renda, apostar em movimentos de volatilidade ou limitar perdas em cenários extremos. Para traders mais experientes, o produto também abre espaço para estratégias que não dependem apenas da direção do Bitcoin, do Ether ou da Solana.
Sem custódia cripto, mas com exposição cripto
A estrutura escolhida pela B3 reduz parte da complexidade operacional associada à autocustódia e ao uso direto de exchanges cripto. Ao mesmo tempo, não elimina riscos de mercado: opções podem perder valor rapidamente, exigem entendimento de vencimento, exercício, prêmio e margem, e podem aumentar a alavancagem da carteira.
No caso da Solana, a inclusão do ativo reforça a presença da rede em produtos regulados, depois de um ciclo de maior interesse institucional em sua infraestrutura. O CriptoBR já vinha acompanhando esse movimento em notícias como a alta da Solana ligada a ações de tesouraria cripto.
O lançamento não muda o fato de que o mercado brasileiro ainda está em fase de construção para derivativos cripto. Mas sinaliza que a B3 quer disputar a demanda profissional por hedge e volatilidade em vez de deixar esse fluxo concentrado em bolsas estrangeiras ou plataformas cripto sem a mesma camada regulatória local.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





