A Morpho levantou US$ 175 milhões em uma rodada co-liderada por Paradigm, a16z crypto e Ribbit Capital. O protocolo quer transformar crédito onchain em infraestrutura usada por bancos, gestoras e fintechs, em um momento de avanço da tokenização e dos produtos financeiros programáveis.
A Morpho Association anunciou nesta terça-feira (9) uma rodada de US$ 175 milhões para expandir sua rede aberta de crédito onchain. O aporte foi co-liderado por Paradigm, a16z crypto e Ribbit Capital, com participação de Apollo Funds, Circle Ventures, VanEck, Ledger Cathay e outros investidores estratégicos.
O movimento reforça uma tese que vem ganhando tração em 2026: a de que parte relevante do crédito global pode migrar para trilhos de blockchain, não necessariamente substituindo bancos e gestoras, mas oferecendo infraestrutura mais programável para empréstimos, garantias, liquidação e distribuição de produtos financeiros.
Por que a rodada importa
A Morpho opera um protocolo de empréstimos baseado em blockchain e afirma ter mais de US$ 11 bilhões em depósitos. Segundo a própria associação, a rede já é usada por clientes institucionais como Bitwise, Galaxy e Anchorage Digital, além de corretoras como Coinbase, Kraken e Binance.
Na prática, a proposta é permitir que instituições e fintechs criem produtos de crédito em cima de uma camada comum, com regras programáveis e liquidação onchain. Esse tipo de infraestrutura conversa diretamente com a expansão dos ativos tokenizados, tema que também apareceu recentemente no CriptoBR quando a BNB Chain atingiu US$ 3,6 bilhões em RWAs no primeiro trimestre.
A rodada também mostra que fundos tradicionais e nativos de cripto continuam dispostos a financiar infraestrutura, mesmo em um mercado menos eufórico para tokens. A entrada de nomes como VanEck, Circle Ventures e Apollo Funds sinaliza interesse em aplicações que conectam DeFi a fluxos financeiros reais, como crédito privado, produtos de renda e colateral tokenizado.
Crédito onchain tenta sair do nicho cripto
O ponto central da Morpho é vender DeFi como backend, não como produto final voltado apenas a usuários cripto. Em vez de pedir que bancos abandonem seus clientes e sistemas, o protocolo tenta oferecer uma rede compartilhada para criar mercados de empréstimo, curadoria de cofres e produtos de rendimento com parâmetros mais transparentes.
Essa abordagem se aproxima de outras iniciativas institucionais recentes. O CriptoBR já mostrou como a Visa testou stablecoin privada com a Brale no Canton e como a Mastercard ampliou o uso de stablecoins para liquidação global. Em todos esses casos, a narrativa é parecida: usar blockchain como infraestrutura financeira, sem depender de uma experiência cripto pura para o usuário final.
De acordo com o anúncio da Morpho, o capital será usado para aprofundar integrações técnicas e comerciais com parceiros estratégicos e fortalecer a infraestrutura necessária para produtos de crédito programável. O CoinDesk também destacou que investidores veem potencial para bancos, gestoras e fundos de pensão adotarem mercados de crédito onchain com o tempo.
O que o leitor deve observar
O aporte é relevante, mas não elimina os riscos do setor. Protocolos de crédito onchain ainda precisam provar resiliência em ciclos de estresse, boa curadoria de garantias, governança clara e integração segura com custodians, oráculos e estruturas reguladas. Para instituições, a promessa de eficiência só faz sentido se vier acompanhada de compliance, auditoria e previsibilidade operacional.
Mesmo assim, a rodada coloca a Morpho em posição de destaque dentro da corrida por infraestrutura financeira tokenizada. Se a tese avançar, o crédito onchain pode deixar de ser apenas uma vertical de DeFi e virar uma camada invisível por trás de produtos oferecidos por bancos, corretoras e gestoras ao público tradicional.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





