A OKX e a Korea Investment & Securities discutem comprar cerca de 20% cada uma da Coinone, uma das maiores exchanges da Coreia do Sul. A operação ainda não foi fechada, mas indicaria uma nova etapa da disputa por mercado regulado na Ásia.
A OKX está em negociações com a Korea Investment & Securities para comprar uma fatia conjunta de até 40% da Coinone, uma das principais exchanges de criptomoedas da Coreia do Sul. A informação foi publicada pela Yonhap News e repercutida pelo CoinDesk nesta sexta-feira (15), com base em fontes do setor.
Segundo os relatos, a estrutura em discussão prevê que a OKX e a corretora sul-coreana adquiram aproximadamente 20% cada uma por meio de uma emissão de novas ações. A Coinone confirmou conversas com diferentes empresas, mas disse que nenhum acordo foi concluído até agora.
Por que a Coreia do Sul importa para as exchanges
A Coreia do Sul é um dos mercados mais competitivos para negociação de criptoativos no mundo, com varejo ativo, alta liquidez em altcoins e regras locais que tornam a entrada direta de players estrangeiros mais difícil. Por isso, parcerias ou participações em exchanges locais viraram um caminho mais realista para empresas globais que querem operar no país.
O movimento também ecoa a estratégia da Binance, que concluiu a aquisição da Gopax no ano passado para ampliar presença no mercado sul-coreano. No CriptoBR, já mostramos como a Binance tem reforçado sua tese em mercados emergentes e como a OKX vem se aproximando de infraestrutura financeira tradicional.
Acordo ainda depende de confirmação
Apesar do potencial estratégico, a negociação ainda está em fase preliminar. O ponto central é que a compra via novas ações poderia injetar capital diretamente na Coinone, em vez de apenas transferir participação entre acionistas existentes. Isso daria fôlego para tecnologia, compliance e expansão de produtos, áreas críticas em um mercado cada vez mais regulado.
Para a OKX, uma fatia relevante em uma exchange local abriria acesso indireto a usuários sul-coreanos sem depender apenas de uma licença própria. Para a Korea Investment & Securities, a parceria colocaria o grupo mais perto da infraestrutura cripto em um momento em que bancos, corretoras e gestoras tradicionais disputam espaço em tokenização, custódia e negociação digital.
Consolidação global segue acelerada
A possível operação reforça uma tendência mais ampla: grandes exchanges estão deixando de crescer apenas por expansão orgânica e passam a buscar acordos com instituições financeiras reguladas. Essa aproximação reduz atritos com autoridades locais, mas também aumenta a pressão por governança, controles antilavagem de dinheiro e segregação de ativos.
O caso se soma a outros movimentos recentes da OKX no cruzamento entre cripto e mercado tradicional. Em abril, a dona da NYSE também apareceu em negociações envolvendo a exchange, como o CriptoBR registrou na matéria sobre a avaliação da OKX em US$ 25 bilhões e planos para ações tokenizadas.
Para o investidor brasileiro, o recado é que a disputa por mercados locais segue aquecida mesmo em ciclos de preço mais instáveis. Se o acordo avançar, a Coreia do Sul pode se tornar mais um campo de teste para o modelo híbrido entre exchange global, corretora tradicional e plataforma regulada de ativos digitais.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





