A gestora britânica Legal & General Asset Management colocou mais de £50 bilhões em fundos de liquidez na rede tokenizada da Calastone. O movimento abre acesso a versões tokenizadas com liquidação on-chain e reforça a corrida de grandes instituições para usar blockchain na distribuição de fundos.
A Legal & General Asset Management (L&G) anunciou nesta quarta-feira que sua suíte de fundos de liquidez passou a operar na Calastone Tokenised Distribution Network, rede desenvolvida para conectar produtos tradicionais de investimento a canais digitais baseados em blockchain. Segundo a gestora, a estrutura já cobre mais de £50 bilhões em ativos de liquidez, algo perto de US$ 68 bilhões na cotação atual.
Na prática, a iniciativa permite que investidores autorizados acessem versões tokenizadas desses fundos com liquidação on-chain, sem alterar a estrutura tradicional usada pelos clientes atuais. O anúncio importa porque mostra uma gestora de escala institucional levando um produto conservador, usado como caixa por empresas e investidores profissionais, para trilhos compatíveis com Ethereum e outras redes EVM.
O que muda com a tokenização dos fundos da L&G
De acordo com a L&G, a infraestrutura da Calastone cuida da criação dos tokens, roteamento de ordens, agregação de negociações, reconciliação e liquidação on-chain, tudo integrado ao processo já usado na administração dos fundos. A proposta é ampliar a distribuição sem exigir uma reconstrução completa da operação.
Os fundos de liquidez da gestora estão disponíveis em dólar, euro e libra esterlina, com foco em preservação de capital, liquidação no mesmo dia e rendimento competitivo. Em vez de lançar um produto totalmente novo, a L&G decidiu tokenizar classes de fundos já existentes, uma estratégia parecida com o avanço institucional que o mercado vem observando em outras frentes de tokenização. No CriptoBR, já mostramos como a BlackRock colocou a tokenização no centro de sua tese para 2026 e como o BUIDL virou vitrine da tokenização em escala.
Segundo o comunicado, o acesso será permissionado, com compra, custódia e transferência instantânea de tokens dentro de um ambiente regulado. As versões tokenizadas serão lançadas inicialmente em Ethereum e em blockchains compatíveis com EVM, com expansão para outras redes ao longo do tempo.
Por que isso importa para o mercado cripto
O caso chama atenção porque não envolve um ativo altamente especulativo, mas um produto financeiro tradicional e defensivo. Isso tende a fortalecer a tese de que a blockchain pode ganhar espaço primeiro na infraestrutura, reduzindo atritos operacionais e acelerando liquidação, em vez de apenas criar novos tokens para negociação.
Esse movimento também conversa com a leitura de grandes bancos sobre o tema. Recentemente, o CriptoBR reportou que a liderança do JPMorgan reconheceu a pressão competitiva da blockchain, enquanto bolsas e corretoras vêm tentando aproximar mercados tradicionais e rails cripto. A entrada de uma casa como a L&G reforça que tokenização já não é apenas narrativa de laboratório.
Para o investidor, o impacto imediato ainda é mais estrutural do que comercial. Mas, se a distribuição tokenizada ganhar escala, o setor pode avançar para fundos com acesso mais rápido, menor fricção operacional e integração mais direta com carteiras e plataformas digitais. Em um mercado que busca casos reais de adoção, esse tipo de anúncio pesa mais do que promessas genéricas sobre Web3.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





