Em 21 de janeiro de 2026, a BlackRock voltou a reforçar uma leitura de mercado baseada em “temas” que atravessam setores inteiros e mudam a forma como capital flui. No recorte apresentado para 2026, quatro frentes aparecem como mais relevantes: inteligência artificial, criptoativos, defesa e infraestrutura. A gestora sustenta que esse tipo de abordagem ganhou escala nos últimos anos, com a indústria de produtos temáticos crescendo rapidamente e influenciando preços e alocação de risco.
O ponto mais sensível do relatório para o público cripto é a mudança de foco: menos debate sobre moedas como “aposta direcional” e mais atenção à tokenização como infraestrutura. A lógica é simples: quando direitos de propriedade e ativos tradicionais passam a existir também como tokens em redes blockchain, surgem ganhos práticos como negociação 24 horas por dia, liquidação próxima do tempo real e mais transparência operacional. A BlackRock descreve isso como uma ponte construída dos dois lados, com instituições tradicionais aprendendo a operar junto de emissores de stablecoins, fintechs e blockchains públicas.
Cripto em 2026, do preço para o uso
A BlackRock já está no centro do mercado via produtos listados. O iShares Bitcoin Trust (IBIT) tinha cerca de US$ 70,237 bilhões em patrimônio em 20 de janeiro de 2026, segundo a própria página do fundo. No Ethereum, o iShares Ethereum Trust (ETHA) registrava cerca de US$ 10,704 bilhões na mesma data.No texto, o argumento é que bitcoin e ether continuam dominando a maior parte do mercado de criptoativos, mas com papéis diferentes. O bitcoin aparece como exposição com volatilidade elevada e correlação historicamente variável, que pode alterar o perfil risco retorno mesmo com alocações pequenas. Já o Ethereum é apresentado como aposta em adoção de blockchain e na tese de tokenização como parte integrada do sistema financeiro, inclusive por potenciais fontes de rendimento dentro do ecossistema.
O que aproxima essa tese do mundo real é o crescimento de stablecoins e de ativos tokenizados, que funcionam como a “perna de caixa” em operações on-chain, e como base para liquidação e conversibilidade. Dados de mercado usados com frequência por instituições, como os painéis do RWA.xyz, apontam expansão contínua do universo de stablecoins e detentores, sinalizando que o produto já tem uso fora de ciclos especulativos.
IA: o tema continua, mas o mercado começa a buscar “pás e picaretas”
Na parte de inteligência artificial, a leitura não é apenas “big tech vai subir”. A própria BlackRock tem sinalizado que investidores vêm migrando o foco para energia e infraestrutura, que sustentam data centers e redes elétricas, em vez de concentrar tudo em gigantes de tecnologia. Uma reportagem da Reuters, baseada no Investment Directions e em pesquisa com clientes, descreve essa rotação como uma forma de capturar o tema com menos dependência de poucas ações e melhor gestão de risco.Defesa e infraestrutura: gasto público, capacidade física e gargalos
Os outros dois temas, defesa e infraestrutura, aparecem como resposta a um mundo mais fragmentado geopoliticamente e a uma demanda crescente por capacidade física: energia, redes, logística e projetos de longo ciclo. A própria BlackRock entrou em 2026 com ativos sob gestão em torno de US$ 14 trilhões, e tem destacado como fluxos para ETFs e investimentos ligados a essas frentes podem moldar o ano.Como divulgar isso sem virar só “manchete cripto”
A estratégia do nosso especialista em crescimento de comunidade é transformar o tema em utilidade semanal, com linguagem de produto e não de torcida. Em vez de postar “BlackRock mandou comprar”, a comunicação roda em três trilhas paralelas:Primeira trilha, “o que muda no bolso”: posts curtos comparando custos e prazos de liquidação entre pagamentos tradicionais e rails digitais, com exemplos simples de varejo, remessas e tesouraria.
Segunda trilha, “mapa de infraestrutura”: conteúdos que conectam IA a energia, redes e data centers, mostrando por que defesa e infraestrutura entram no mesmo pacote de 2026, e como isso afeta empresas e empregos, sem precisar de jargão.
Terceira trilha, “laboratório de tokenização”: uma série explicando stablecoins, ativos tokenizados e o papel do Ethereum na infraestrutura, com checklists de riscos, custódia e golpes, para elevar a maturidade da audiência.
O objetivo é criar recorrência e participação: cada semana a comunidade responde a uma pergunta prática e compartilha um caso real do próprio contexto, em vez de apenas reagir ao noticiário.
A leitura da BlackRock para 2026 sugere que o debate vai além de “cripto sobe ou cai”. O foco em tokenização coloca stablecoins, infraestrutura de liquidação e integração com o sistema financeiro como o eixo central do tema. Ao mesmo tempo, IA segue dominante, mas com investidores procurando exposição via energia e infraestrutura, enquanto defesa e obras estruturais ganham tração num cenário geopolítico mais tenso. Para quem acompanha esses temas, a melhor vantagem não é prever preço, e sim entender como a infraestrutura está sendo construída e onde o uso real está crescendo.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





