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BCE escolhe 36 empresas para piloto do euro digital

Hillary Gonçalves by Hillary Gonçalves
julho 15, 2026
in Notícias
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BCE escolhe 36 empresas para piloto do euro digital em capa editorial do CriptoBR
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📋 Resumo

O Banco Central Europeu selecionou 36 provedores de pagamento para participar do piloto do euro digital. O teste começa no segundo semestre de 2027, por 12 meses, e deve medir pagamentos online, offline, em lojas físicas e no comércio eletrônico.

O Banco Central Europeu (BCE) escolheu 36 provedores de serviços de pagamento para participar do piloto do euro digital, levando o projeto de uma fase de desenho para uma etapa mais prática de testes. Segundo o comunicado oficial do BCE, o exercício começará no segundo semestre de 2027, terá duração de 12 meses e usará uma versão beta da moeda digital.

A seleção importa porque coloca bancos, fintechs e empresas de pagamento dentro do ambiente de testes de uma possível CBDC europeia. O euro digital ainda não terá curso legal no piloto, mas será tecnicamente próximo do modelo previsto na proposta legislativa em discussão na União Europeia.

O que será testado no piloto

De acordo com o BCE, os participantes foram escolhidos após mais de 50 candidaturas recebidas desde março de 2026. A lista inclui provedores bancários e não bancários, com diferentes tamanhos e modelos de negócio, para dar cobertura geográfica e operacional mais ampla ao teste.

O piloto vai acontecer no próprio BCE e em 19 bancos centrais nacionais da zona do euro. A autoridade monetária quer testar funcionalidades técnicas, processos operacionais e experiência de uso antes de qualquer decisão final sobre emissão.

Na prática, parte dos provedores atuará na distribuição de contas beta do euro digital para funcionários do Eurosistema. Outra parte ficará no lado de aceitação, permitindo que comerciantes selecionados recebam pagamentos em ambiente controlado.

Os testes previstos incluem pagamentos pessoa a pessoa, online e offline, além de pagamentos pessoa a empresa em lojas físicas, software de ponto de venda, comércio eletrônico e dispositivos móveis. Esse recorte é relevante porque o uso offline tem sido uma das promessas centrais do euro digital frente a cartões e carteiras privadas.

Por que isso afeta o mercado cripto

Embora o euro digital não seja uma criptomoeda, ele disputa o mesmo debate sobre dinheiro digital, privacidade, infraestrutura de pagamentos e soberania monetária. A Europa tenta construir uma alternativa pública em um cenário no qual stablecoins em dólar, redes de cartão e grandes empresas de tecnologia ainda dominam boa parte dos fluxos digitais.

Esse movimento conversa diretamente com a pressão regulatória sobre stablecoins. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre EUA e Reino Unido alinhando regras para stablecoins, governos vêm tentando criar trilhos próprios para ativos digitais sem abrir mão do controle monetário.

Também há um paralelo com a discussão europeia sobre stablecoins lastreadas em euro. Em março, o CriptoBR reportou que o BCE havia demonstrado cautela com stablecoins em euro, citando riscos para bancos e para a transmissão da política monetária. O piloto do euro digital mostra a outra ponta da estratégia: em vez de depender só do setor privado, o banco central quer testar uma infraestrutura pública.

Próximo passo depende de lei europeia

O BCE afirma que o piloto apoia o trabalho preparatório para uma eventual emissão, mas a decisão final ainda depende do processo legislativo europeu. A página oficial do projeto aponta uma possível primeira emissão em 2029, caso a regulação do euro digital seja aprovada em 2026.

Para o usuário final, o impacto ainda não é imediato. O teste será restrito a funcionários dos bancos centrais participantes e comerciantes selecionados. Para bancos, fintechs e empresas de pagamento, porém, a mensagem é mais clara: a Europa está avançando para testar, com atores privados, como uma moeda digital de banco central poderia circular no varejo.

O tema também se conecta à agenda de tokenização institucional. O Reino Unido, por exemplo, vem tentando atrair bancos e gestoras para mercados tokenizados, como mostramos na cobertura sobre Wall Street e tokenização no Reino Unido. A diferença é que, no caso europeu, a âncora é uma moeda digital pública emitida pelo banco central.

O principal ponto de atenção será a combinação entre privacidade, limites de uso, custo para comerciantes e integração com bancos. Se o piloto entregar uma experiência simples sem deslocar depósitos bancários de forma agressiva, o euro digital pode ganhar força como alternativa europeia a stablecoins e redes privadas. Se o teste mostrar fricção demais, a adoção pode ficar restrita ao campo regulatório.

Hillary Gonçalves
Hillary Gonçalves

Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.

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Tags: CBDCEuroparegulaçãostablecoins
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