A Hyperliquid publicou a estrutura de taxas para “outcome tokens”, sinalizando avanço no plano de levar mercados de previsão ao protocolo. A proposta começa sem cobrança para abrir posições e mira um setor que movimentou US$ 63,5 bilhões em 2025.
A Hyperliquid deu mais um passo para entrar na disputa dos mercados de previsão, uma das verticais mais quentes da cripto em 2026. Segundo o CoinDesk, o protocolo publicou a estrutura de taxas para seus outcome tokens, ativos usados para negociar resultados de eventos do mundo real em um modelo parecido com Polymarket e Kalshi.
O ponto que chama atenção é simples: abrir uma posição não teria taxa. Os custos aparecem no fechamento ou na liquidação das operações, enquanto traders que usam “aligned quote tokens” recebem condições melhores. A mudança ainda aparece como recurso de testnet, mas indica que o lançamento em mainnet está mais próximo.
Como a Hyperliquid quer disputar mercados de previsão
Os outcome tokens fazem parte da HIP-4, atualização que pretende permitir contratos binários sobre eventos reais dentro da mesma experiência de negociação já usada para perps e spot na Hyperliquid. Na prática, o usuário poderia operar criptoativos e apostas de resultado em uma única conta, sem migrar liquidez para outra plataforma.
De acordo com a documentação da Hyperliquid, os ativos de cotação alinhados têm desconto de 20% nas taxas de tomador e rebates de maker 50% melhores. A estrutura também descreve cenários de criação, negociação, queima e liquidação desses tokens, ainda com a indicação de “testnet only”.
A movimentação acontece em um momento em que o setor ganhou tração institucional e regulatória. Como o CriptoBR mostrou recentemente, a Polymarket tenta voltar aos EUA com aval da CFTC, enquanto a concorrência por mercados de eventos deixou de ser apenas uma tese de nicho.
Setor passou de nicho para disputa bilionária
O apetite da Hyperliquid tem explicação. Um relatório da CertiK apontou que os mercados de previsão cresceram cerca de 4 vezes em 2025, com volume anual de US$ 63,5 bilhões. O mesmo estudo alerta, porém, para riscos de segurança, dependência de provedores centralizados e volume artificial em períodos de incentivo.
Esse contexto ajuda a entender por que a disputa não é apenas por interface, mas por liquidez, resolução de mercados e confiança. Em mercados de previsão, pequenos detalhes no texto de um contrato ou na forma como um evento é resolvido podem definir quem recebe os fundos. Para investidores, isso torna a infraestrutura tão importante quanto a taxa cobrada.
A Hyperliquid já vinha ampliando seu escopo além dos contratos perpétuos tradicionais. A HIP-3, que abriu perps permissionless para desenvolvedores, chegou a responder por mais de 35% do volume da plataforma desde outubro de 2025, segundo o CoinDesk. Esse histórico ajuda a sustentar a tese de que a plataforma pode usar sua base de traders para acelerar uma nova frente de produto.
Por que isso importa para traders cripto
Se a HIP-4 avançar para mainnet, a Hyperliquid poderá atacar dois mercados ao mesmo tempo: traders que já operam alavancagem e usuários interessados em eventos políticos, esportivos, econômicos ou cripto-nativos. O modelo de taxa zero na abertura pode reduzir atrito inicial, especialmente para estratégias rápidas ou para quem testa liquidez antes de aumentar posição.
O risco é que mercados de previsão exigem mais do que volume. Eles dependem de oráculos, regras claras, boa governança e mecanismos confiáveis de liquidação. A própria CertiK destacou que plataformas do setor ainda enfrentam desafios como manipulação de oráculos, chaves administrativas e disputas por definições ambíguas.
Para o mercado cripto, a entrada da Hyperliquid reforça uma tendência: exchanges descentralizadas querem deixar de ser apenas locais de negociação de tokens e passar a funcionar como infraestrutura para precificar incerteza. Esse movimento também conversa com outras tentativas de levar ativos tradicionais e eventos reais para dentro da blockchain, como a chegada de futuros perpétuos do S&P 500 à Hyperliquid e a corrida por apostas binárias no estilo Polymarket.
Por enquanto, não há data oficial para a estreia em mainnet. Mas a publicação das taxas mostra que a disputa por mercados de previsão está entrando em uma fase mais concreta — e que a próxima briga entre DEXs pode acontecer fora dos pares tradicionais de cripto.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





