A Polymarket estaria buscando aval da CFTC para reabrir sua principal plataforma a traders dos EUA, segundo Bloomberg e CoinDesk. A movimentação ocorre enquanto o regulador tenta firmar jurisdição federal sobre mercados de previsão e pode acirrar a disputa com Kalshi.
A Polymarket quer voltar ao mercado norte-americano em grande estilo. A plataforma de mercados de previsão está buscando aprovação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para liberar sua principal exchange a usuários dos Estados Unidos, segundo reportagem da Bloomberg citada pelo CoinDesk nesta terça-feira (28).
O movimento importa porque recoloca os mercados de previsão no centro da disputa regulatória dos EUA. Se aprovado, o retorno daria à Polymarket acesso direto ao maior mercado consumidor do setor e poderia aumentar a competição com a Kalshi, empresa que já opera em ambiente regulado no país.
Por que a Polymarket saiu dos EUA?
A restrição a traders norte-americanos vem de um acordo firmado com a CFTC em 2022. Desde então, a Polymarket manteve sua plataforma principal fora dos EUA, enquanto buscava caminhos para uma volta regulada. Em novembro, a companhia recebeu sinal verde para uma plataforma separada voltada apenas ao público norte-americano após adquirir uma exchange registrada, mas esse produto ainda não foi lançado integralmente.
Agora, a discussão seria mais ambiciosa: remover o bloqueio da exchange internacional e permitir que usuários dos EUA acessem a plataforma principal sob supervisão da CFTC. Segundo o CoinDesk, a decisão ainda exigiria voto do regulador, embora o processo esteja concentrado em uma comissão hoje esvaziada, com Michael Selig como único comissário em exercício.
Disputa com estados ganha força
A tentativa da Polymarket acontece no mesmo momento em que a CFTC endurece sua defesa sobre a jurisdição dos mercados de previsão. O regulador processou Wisconsin nesta terça-feira, após o estado acionar plataformas como Kalshi, Polymarket, Coinbase, Robinhood e Crypto.com por suposta operação de apostas esportivas sem licença.
Esse embate já apareceu em outras frentes. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a ação da CFTC contra Nova York, o órgão federal defende que contratos de eventos são derivativos e, portanto, devem ficar sob sua autoridade. A discussão também conversa com o avanço regulatório mais amplo descrito em SEC e CFTC prometem nova fase para cripto nos EUA.
O que muda para o mercado
Mercados de previsão permitem negociar contratos vinculados a eventos futuros, como eleições, indicadores econômicos e resultados esportivos. Para usuários, a volta da Polymarket aos EUA ampliaria liquidez e variedade de mercados. Para reguladores, porém, o desafio é separar derivativos financeiros de produtos que estados tratam como apostas.
A Polymarket também carrega um alerta reputacional recente: autoridades acusaram um militar de usar VPN para acessar a exchange internacional e lucrar mais de US$ 400 mil com negociações baseadas em informação classificada. Esse episódio deve pesar no debate sobre controles de acesso, compliance e monitoramento de abuso.
Se a CFTC autorizar o retorno, a Polymarket pode transformar uma restrição histórica em vantagem competitiva. Mas, até lá, o setor segue preso à pergunta central: quem manda nos mercados de previsão dos EUA — os estados ou o regulador federal de derivativos?
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





