A Nasdaq, uma das maiores bolsas de valores do mundo, apresentou nesta segunda-feira (2) uma proposta à SEC (Securities and Exchange Commission) para listar opções binárias atreladas aos seus principais índices de ações, incluindo o Nasdaq-100. O movimento aproxima Wall Street do formato popularizado por plataformas cripto como Polymarket e Kalshi.
Como funcionam as apostas binárias da Nasdaq
Opções binárias são contratos com apenas dois resultados possíveis: o evento acontece e o apostador lucra, ou a opção expira sem valor. No modelo proposto pela Nasdaq, os contratos seriam precificados entre US$ 0,01 e US$ 1,00, refletindo a probabilidade estimada pelo mercado de que determinado resultado ocorra.
Na prática, um trader poderia apostar, por exemplo, se o Nasdaq-100 vai fechar acima ou abaixo de determinado nível — uma mecânica muito similar ao que plataformas como a Polymarket já oferecem para eventos políticos, econômicos e culturais.
Wall Street copia o modelo cripto
A proposta da Nasdaq não é um caso isolado. A rival Cboe já havia anunciado planos semelhantes em fevereiro, sinalizando que as bolsas tradicionais enxergam um mercado promissor nas apostas baseadas em eventos.
O interesse cresceu justamente por causa do sucesso das plataformas cripto. A Polymarket ganhou destaque global ao permitir apostas em eleições, dados econômicos e até eventos culturais. Do lado regulado, a Kalshi opera sob supervisão da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) nos Estados Unidos.
As exchanges cripto também entraram na disputa. A Coinbase lançou mercados de previsão em janeiro, enquanto a Gemini recebeu aprovação da CFTC em dezembro de 2025 para operar como Designated Contract Market (DCM), habilitando a oferta de mercados de previsão regulados a clientes americanos.
SEC vs. CFTC: a questão regulatória
Existe uma diferença regulatória importante. Plataformas como Polymarket e Kalshi são supervisionadas pela CFTC porque oferecem contratos de eventos. Já as opções binárias propostas pela Nasdaq cairiam sob a jurisdição da SEC, por serem derivativos atrelados a índices de ações — títulos mobiliários.
Essa divisão jurisdicional pode gerar disputas entre os reguladores, algo que o mercado cripto já conhece bem. A aprovação da proposta pela SEC ainda não tem prazo definido.
O que isso significa para o mercado cripto
A entrada de gigantes como Nasdaq e Cboe no segmento de mercados de previsão valida um conceito que nasceu no ecossistema cripto. Para plataformas descentralizadas como a Polymarket, isso é uma faca de dois gumes: por um lado, confirma que o modelo funciona; por outro, a concorrência de bolsas tradicionais com décadas de infraestrutura e base de clientes institucional pode ser devastadora.
Para o investidor brasileiro, o movimento reforça uma tendência clara: a fronteira entre finanças tradicionais e cripto está cada vez mais borrada. Ferramentas que antes eram exclusivas do universo descentralizado estão migrando para o mainstream — e Wall Street está disposta a competir.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





