A BNB Chain lidera o uso de stablecoins entre blockchains, com 15 milhões de endereços ativos mensais e média de 10 milhões de transações por dia, segundo relatório da Binance Research com dados da Dune. O dado reforça a disputa por pagamentos on-chain em meio ao avanço das stablecoins fora do eixo puramente especulativo.
A BNB Chain voltou ao centro da disputa por pagamentos em stablecoins ao aparecer como a rede com maior número de endereços ativos mensais nesse segmento. Segundo relatório da Binance Research, baseado em dados da Dune até 10 de junho, a rede registrou cerca de 15 milhões de endereços ativos mensais ligados a stablecoins e média de 10 milhões de transações por dia.
O número importa porque mede uso, não apenas capital parado. Enquanto valor de mercado mostra quanto foi emitido, endereços ativos e transações indicam se os dólares tokenizados estão circulando em pagamentos, transferências e operações do dia a dia. A própria BNB Chain destacou o dado em publicação no X neste domingo.
https://x.com/BNBCHAIN/status/2076094196029730988
BNB Chain lidera em usuários e transações
No relatório Stablecoins: Transforming The Financial Landscape, a Binance Research afirma que a BNB Chain lidera tanto em transações quanto em usuários de stablecoins. Desde 2025, a rede teria processado mais de 5,3 bilhões de transações desse tipo, com participação de 24% por contagem de transações.
A leitura da pesquisa é que esse padrão se parece mais com uso de varejo do que com grandes movimentações institucionais. Em outras palavras, muitas transações de menor valor podem indicar pagamentos, remessas e gestão cotidiana de saldo em dólar tokenizado, em vez de apenas transferências pontuais entre tesourarias ou grandes participantes.
Esse ponto conversa com uma tendência que já vinha aparecendo em outras frentes. Como o CriptoBR mostrou na análise sobre USDT em pagamentos e USDC no DeFi, o mercado de stablecoins não é homogêneo: diferentes redes, emissores e casos de uso competem por liquidez, custo e distribuição.
Stablecoins saem do papel de ponte para trading
O relatório também argumenta que stablecoins deixaram de ser apenas um ponto de passagem entre compras e vendas de cripto. Entre os dados citados, a Binance Research aponta que stablecoins alocadas em produtos Earn da Binance representam 33% da base do produto, enquanto pagamentos com stablecoins teriam respondido por 98% do volume do Binance Pay em 2026.
Outro recorte relevante está na América Latina. Segundo a pesquisa, a participação da região em usuários de transferências com stablecoins mais que dobrou desde 2025, de 17% para 38%. Para mercados com remessas caras, inflação ou fricção bancária, a promessa de liquidação quase instantânea e custo menor tem apelo direto.
Ainda assim, liderança em atividade não elimina riscos. Stablecoins dependem de emissores, reservas, liquidez e regras locais. A queda recente de valor circulante no setor, abordada pelo CriptoBR em stablecoins perderem US$ 10 bilhões desde maio, mostra que a adoção convive com ciclos de contração e mudanças na demanda por caixa on-chain.
O que isso muda para a BNB Chain
Para a BNB Chain, o dado fortalece uma narrativa que vai além de preço do token BNB. A rede tenta se posicionar como infraestrutura de alto volume para pagamentos, trading on-chain e aplicações automatizadas. Isso também se conecta ao roteiro técnico recente da rede, que mira mais throughput e uma nova arquitetura de Layer 1, tema já detalhado pelo CriptoBR na matéria sobre a nova L1 da BNB Chain para trading com IA.
O desafio é transformar atividade em vantagem sustentável. Endereços ativos podem crescer por incentivos, custos baixos ou comportamento de curto prazo. Para que a liderança tenha impacto duradouro, a rede precisa manter liquidez, segurança e experiência previsível quando o uso aumenta.
Por enquanto, o dado reforça que a corrida das stablecoins não está limitada a Ethereum ou aos grandes emissores. A disputa também passa pela camada onde usuários fazem transações repetidas, e nesse recorte a BNB Chain aparece como uma das redes mais relevantes do ciclo atual.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





