A Kelp DAO perdeu 116,5 mil rsETH, avaliados em cerca de US$ 292 milhões, após um ataque à sua bridge cross-chain baseada em LayerZero. O caso já é tratado como o maior exploit DeFi de 2026 e gerou congelamentos preventivos em protocolos como Aave, SparkLend e Fluid, ampliando o risco de contágio no ecossistema Ethereum.
A Kelp DAO sofreu neste sábado um ataque que drenou 116,5 mil rsETH, o equivalente a cerca de US$ 292 milhões, em um incidente que já desponta como o maior exploit DeFi de 2026. Segundo a CoinDesk, o invasor conseguiu enganar a camada de mensageria cross-chain usada pela bridge do protocolo, liberando os ativos para um endereço controlado pelo atacante.
O episódio atinge em cheio um dos pontos mais sensíveis do mercado atual: a confiança em infraestruturas que conectam Ethereum e redes de segunda camada. Como o rsETH roubado servia de reserva para versões embrulhadas do token em mais de 20 blockchains, o ataque levantou dúvidas imediatas sobre a solvência desses ativos fora da rede principal.
Mais detalhes sobre o incidente foram compartilhados pela própria Kelp DAO no X:
https://x.com/KelpDAO/status/2045595819035046148
Como o ataque à Kelp DAO aconteceu
De acordo com a publicação, o ataque ocorreu às 17h35 UTC, quando a bridge da Kelp, integrada ao padrão OFT da LayerZero, aceitou uma instrução falsa como se tivesse vindo de outra rede. Com isso, o sistema liberou 116,5 mil rsETH para o invasor.
A Kelp pausou contratos centrais 46 minutos depois, por meio de sua multisig de emergência. Ainda assim, o invasor tentou repetir a operação duas vezes, às 18h26 UTC e 18h28 UTC, com pacotes semelhantes que buscavam drenar mais 40 mil rsETH por tentativa. Essas novas transações falharam.
Para quem acompanha o setor, o caso reforça um padrão desconfortável. Como mostramos na cobertura do hack de US$ 286 milhões no Drift Protocol, ataques a protocolos com grande liquidez continuam migrando de falhas isoladas para estruturas sistêmicas, especialmente bridges e integrações entre cadeias.
Risco de contágio no DeFi e pressão sobre o rsETH
O rsETH é um token de liquid restaking, emitido pela Kelp DAO a partir de ETH depositado e redirecionado para o EigenLayer em busca de rendimento adicional. Na prática, ele funciona como um recibo negociável do ETH restakeado. O problema é que a reserva que garantia as versões cross-chain do ativo foi justamente a parte drenada no ataque.
Isso criou um risco imediato para usuários em redes como Base, Arbitrum, Linea, Blast, Mantle e Scroll. Se investidores dessas chains tentarem resgatar seus tokens ao mesmo tempo, a pressão pode migrar para a oferta na mainnet e forçar a Kelp a desmontar posições para honrar retiradas, caso consiga.
A reação do mercado foi rápida. A Aave congelou mercados de rsETH nas versões V3 e V4, enquanto SparkLend e Fluid adotaram medidas semelhantes. A própria Aave afirmou que seus contratos não foram comprometidos, mas o token AAVE ainda caiu cerca de 10% com o mercado precificando possível inadimplência. Em ciclos recentes, o setor já vinha mostrando sensibilidade a riscos operacionais, como vimos em episódios envolvendo falhas em stablecoins DeFi e na expansão de ativos tokenizados como o wXRP no ecossistema DeFi da Solana.
No X, a Aave confirmou o congelamento dos mercados ligados ao rsETH e disse que a exploração foi externa ao protocolo:
https://x.com/aave/status/2045593585966252377
O que o mercado deve monitorar agora
Até o momento, a Kelp DAO informou que trabalha com a LayerZero, a Unichain, auditores e especialistas externos para entender como a validação da bridge foi contornada. O protocolo ainda não detalhou se existe chance concreta de recuperar os fundos nem como pretende tratar o desequilíbrio entre o rsETH na Ethereum e as versões emitidas em outras redes.
Para o investidor, os próximos sinais relevantes são três: a manutenção ou perda de paridade do rsETH, o tamanho do eventual rombo em protocolos de empréstimo expostos ao ativo e a velocidade com que a Kelp conseguirá restaurar confiança na infraestrutura cross-chain. Num mercado em que segurança virou diferencial competitivo, o caso da Kelp deve reacender o debate sobre o risco real embutido em bridges, mesmo quando elas operam em ecossistemas consolidados.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





