A XRP ganhou uma nova porta de entrada para o DeFi ao estrear na Solana em versão wrapped, com custódia da Hex Trust e infraestrutura da LayerZero. Na prática, a integração permite que holders usem o ativo em apps como Jupiter, Phantom, Titan Exchange e Meteora sem vender a posição original. O impacto real agora depende de adoção e liquidez.
A XRP passou a circular na Solana em formato wrapped nesta sexta-feira (18), em um movimento que amplia o alcance do ativo para o ecossistema de finanças descentralizadas da rede. Segundo a CoinDesk, a emissão do wXRP é feita pela Hex Trust, com interoperabilidade apoiada pela LayerZero, abrindo caminho para uso do token em aplicações como Jupiter, Phantom, Titan Exchange e Meteora.
O lançamento importa porque a XRP sempre teve uma presença mais associada a pagamentos e liquidação no XRP Ledger, enquanto a Solana concentrou boa parte da atividade recente de DeFi, trading onchain e liquidez. Com isso, holders podem buscar novas estratégias sem necessariamente desfazer a exposição ao ativo original.
wXRP leva a XRP para apps DeFi da Solana
De acordo com a Hex Trust, cada unidade de wXRP é lastreada em 1:1 por XRP nativa, mantida em contas segregadas de custódia e com possibilidade de resgate. Em termos práticos, a estrutura tenta resolver um gargalo antigo: como levar liquidez de um ativo consolidado em outra rede para ambientes onde o capital está sendo mais utilizado.
Na Solana, isso significa acesso potencial a swaps, pools, estratégias de rendimento e integração com carteiras já populares na rede. O movimento reforça uma tendência que o mercado vem acelerando desde 2025, com tokens nativos de um ecossistema sendo “embrulhados” para capturar liquidez e utilidade em outros ambientes.
Esse tipo de expansão multichain já vinha ganhando força em diferentes frentes. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o banco de Singapura que adotou Solana para trilhos de stablecoin, a rede tem atraído infraestrutura voltada a ativos financeiros. Em outra frente, a parceria entre Ripple e Kyobo para liquidação de títulos na Coreia mostrou que o ecossistema da Ripple continua buscando casos de uso institucionais fora do trading.
Integração amplia utilidade, mas adoção ainda será o teste
Apesar do avanço técnico, ainda não está claro se a chegada do wXRP vai gerar volume expressivo dentro da Solana. A própria CoinDesk observa que uma coisa é o ativo estar disponível; outra é ver os holders efetivamente migrarem capital para pools, agregadores e estratégias onchain.
Há também uma camada de risco e percepção de mercado ligada à infraestrutura de pontes entre redes. A LayerZero ganhou espaço como uma das principais peças desse mercado após uma sequência de falhas históricas em outros protocolos cross-chain, que somaram mais de US$ 1 bilhão em explorações entre 2022 e 2024, segundo a reportagem. Isso ajuda a explicar por que a escolha da pilha técnica pesa tanto para a confiança do usuário.
Para a Solana, a novidade adiciona mais um ativo conhecido a um ecossistema que tenta concentrar liquidez em torno de carteiras, DEXs e apps de rendimento. Para a XRP, representa uma chance de participar de um ambiente mais ativo em DeFi sem depender apenas da lógica original de pagamentos do seu ecossistema. Em paralelo, o mercado também vem observando novas pontes entre tokens consolidados e diferentes redes, como ocorreu quando a Stripe reforçou sua aposta em blockchain e stablecoins para ampliar a infraestrutura de movimentação digital.
Se a integração vai virar uso real, isso deve aparecer nas próximas semanas em métricas como liquidez, volume e participação do wXRP em protocolos da Solana. Por enquanto, o anúncio sinaliza mais uma etapa da disputa entre redes para atrair ativos, usuários e capital produtivo.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





