Dogecoin e Hyperliquid (HYPE) lideraram as perdas semanais entre os principais criptoativos, enquanto o Bitcoin tentou se manter perto de US$ 60 mil. O movimento mostra que o apetite por risco ainda existe, mas parte relevante do capital ficou concentrada em ações ligadas a inteligência artificial, e não em cripto.
Dogecoin (DOGE) e Hyperliquid (HYPE) fecharam a semana entre os piores desempenhos do mercado cripto, em um período no qual investidores continuaram buscando risco, mas preferiram ações ligadas a inteligência artificial em vez dos principais tokens. Segundo dados citados pelo CoinDesk neste sábado (27), DOGE caiu cerca de 9,6% em sete dias, enquanto HYPE recuou 9,9%.
O Bitcoin teve uma queda menor, de aproximadamente 5,3% na semana, e voltou para a região de US$ 60 mil depois de testar níveis próximos a US$ 58.800 na sexta-feira. O contraste é importante: o mercado acionário americano encontrou fôlego em setores fora dos grandes chips de IA, mas o fluxo não chegou ao mesmo tempo aos criptoativos.
Cripto fica de fora da rotação de risco
A leitura principal é que o investidor não abandonou completamente o risco. O problema, para cripto, é que a rotação favoreceu outras áreas. O índice S&P 500 de peso igual chegou a renovar máxima, sinalizando avanço mais amplo das ações americanas, enquanto os grandes tokens ficaram pressionados por saques em ETFs de Bitcoin, dólar forte e expectativa de um Federal Reserve ainda cauteloso.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a recuperação de algumas altcoins não se espalhou de forma uniforme. A Solana, por exemplo, conseguiu desempenho melhor na semana, em linha com o movimento recente que já apareceu na matéria do CriptoBR sobre a alta da Solana e ações de tesouraria cripto. DOGE e HYPE, por outro lado, ficaram mais expostos à redução de apetite em ativos de maior beta.
Ether também sentiu a pressão, com queda semanal de cerca de 8,4%, enquanto XRP recuou aproximadamente 7,8%. Já Solana e Tron ficaram mais próximos da estabilidade, segundo os dados da publicação americana.
Bitcoin encontra compradores perto de US$ 58 mil
Apesar da fraqueza semanal, o Bitcoin mostrou uma dinâmica diferente das altcoins mais pressionadas. Alex Kuptsikevich, analista-chefe da FxPro, disse ao CoinDesk que as quedas para perto de US$ 58 mil foram rapidamente compradas, levando o BTC de volta à faixa dos US$ 60 mil.
Na prática, isso sugere uma disputa entre liquidações de posições alavancadas e ordens de compra posicionadas em regiões de suporte. O CriptoBR já havia destacado esse ponto na cobertura sobre o teste do Bitcoin perto de US$ 59 mil e quase US$ 1 bilhão em liquidações, quando a volatilidade voltou a pesar sobre traders alavancados.
O fator ETF segue no radar. A pressão recente sobre fundos spot de Bitcoin reduziu uma das principais fontes de demanda institucional do ciclo. Ainda assim, o BTC segue mostrando mais resiliência relativa do que tokens com narrativas mais específicas, como memecoins e derivativos descentralizados.
O que isso muda para o investidor
Para o leitor, o ponto central não é apenas a queda de DOGE ou HYPE. O dado mais relevante é a divergência entre mercados. Ações americanas continuam encontrando compradores, mas cripto ainda precisa provar que consegue competir por fluxo em um ambiente de juros elevados, dólar forte e seleção mais rígida de risco.
Memecoins como DOGE costumam reagir de forma mais intensa quando o humor do varejo piora. HYPE, por sua vez, carrega uma narrativa forte ligada à Hyperliquid, mas também fica mais vulnerável quando investidores reduzem exposição a apostas de crescimento dentro de DeFi. O CriptoBR acompanhou essa sensibilidade recentemente na matéria sobre a perda de mercados da Hyperliquid ligados a OpenAI e Anthropic.
O cenário, por enquanto, pede leitura seletiva. Se o Bitcoin continuar defendendo a faixa dos US$ 58 mil a US$ 60 mil, o mercado pode ganhar tempo para uma recuperação gradual. Se essa região ceder, ativos de maior volatilidade tendem a sofrer primeiro, especialmente aqueles que dependem de fluxo especulativo mais curto.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





