A Base adiou a ativação da atualização Beryl na mainnet para 26 de junho, às 18h UTC, por causa da janela de inicialização do B20 Activation Registry. O upgrade introduz o padrão nativo B20, reduz o prazo de saques para Ethereum de sete para cinco dias e mira emissores de stablecoins, RWAs e tokens de cauda longa.
A Base, rede de camada 2 incubada pela Coinbase, adiou em um dia a ativação da atualização Beryl na mainnet para garantir que o registro de ativação do novo padrão B20 esteja pronto antes de os desenvolvedores começarem a emitir tokens nativos na rede.
Segundo a documentação oficial da Base, a ativação do B20 na mainnet está prevista para 26 de junho de 2026, às 18h UTC, mas o Activation Registry pode levar até cerca de uma hora para ficar totalmente habilitado. Na prática, isso significa que tentativas de implantação antes da liberação podem falhar com erro de recurso ainda não ativado.
O que muda com o Beryl
O Beryl é a segunda grande atualização de rede da Base e tem três frentes principais: introduzir o padrão B20, reduzir o período de finalização de saques de prova única de sete para cinco dias e integrar o Reth V2, cliente de execução que promete menor uso de disco e mais throughput.
Em seu blog de engenharia, a Base descreveu o Beryl como um passo para transformar a rede em uma plataforma de emissão mais completa. A mudança conversa diretamente com a disputa entre L2s por casos de uso de maior valor, especialmente stablecoins, ativos do mundo real e aplicações financeiras que precisam de infraestrutura previsível.
O ponto mais sensível é o B20. Diferente de um token ERC-20 comum implantado apenas como contrato inteligente, o novo padrão nasce como uma estrutura nativa do ambiente da Base. Ele terá variantes para ativos configuráveis e stablecoins, além de recursos voltados a emissores que precisam lidar com requisitos operacionais, como anúncios on-chain e parâmetros de emissão.
Por que isso importa para usuários e emissores
Para usuários finais, a redução da janela de saque para Ethereum é a mudança mais direta. Bridges de L2 ainda sofrem com a percepção de demora e fricção, e encurtar o período padrão de sete para cinco dias melhora a eficiência de capital para quem movimenta valores entre Base e Ethereum.
Para emissores, a leitura é mais estratégica. A Base quer disputar a infraestrutura de lançamento de stablecoins e RWAs, um mercado que vem ganhando força em várias frentes. O CriptoBR mostrou recentemente como a Spark levou US$ 150 milhões em stablecoins à Uniswap v4, reforçando a busca por liquidez mais eficiente entre ativos pareados ao dólar.
O mesmo movimento aparece na tokenização. A BNB Chain chegou a US$ 3,6 bilhões em RWAs no primeiro trimestre, enquanto redes concorrentes tentam atrair emissores com custos menores, ferramentas de compliance e melhor experiência de liquidação.
Atenção ao cronograma
A cobertura da crypto.news destacou que a Base atribuiu o adiamento a uma dependência de timing ligada ao Activation Registry, e não ao incidente recente de paralisação temporária da rede. Esse detalhe importa porque separa um ajuste operacional de lançamento de um problema de estabilidade do upgrade em si.
Mesmo assim, desenvolvedores devem tratar a janela de ativação com cautela. A própria documentação da Base orienta verificar se o registro está habilitado antes de tentar implantar um B20. Até que essa checagem retorne positiva, a emissão de tokens no novo padrão pode ser rejeitada pela rede.
A atualização também chega em um momento em que a Coinbase amplia sua presença em produtos on-chain. Nas últimas semanas, o CriptoBR noticiou que a Coinbase quer levar ações tokenizadas e opções ao aplicativo, sinalizando uma estratégia mais ampla de aproximar infraestrutura cripto de produtos financeiros tradicionais.
Se o Beryl for ativado sem novos atrasos, a Base passa a oferecer uma camada nativa para emissão de tokens mais alinhada a stablecoins, RWAs e ativos institucionais. Para o mercado, o ponto a observar não é apenas o hard fork em si, mas se emissores reais vão usar o B20 depois que o registro estiver liberado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





