A Securitize espera levantar cerca de US$ 400 milhões em sua combinação com a SPAC Cantor Equity Partners II. Se aprovada pelos acionistas, a empresa deve estrear na NYSE sob o ticker SECZ em 2 de julho, reforçando a corrida por tokenização de ativos reais.
A Securitize, uma das principais empresas de infraestrutura para tokenização de ativos do mercado financeiro, informou que espera levantar cerca de US$ 400 milhões em recursos brutos antes de sua estreia na Bolsa de Nova York. A operação depende da aprovação dos acionistas da Cantor Equity Partners II, uma SPAC ligada à Cantor Fitzgerald, em reunião marcada para 29 de junho.
Se o cronograma for mantido, a combinação de negócios deve ser concluída em 1º de julho, e a nova Securitize Corp. começará a negociar na NYSE no dia seguinte, sob o ticker SECZ. Para o mercado cripto, o ponto central não é apenas a listagem em si, mas o sinal de que a tokenização de ativos reais segue ganhando espaço mesmo em um ambiente mais seletivo para empresas digitais.
Menos resgates e mais capital para a tese de RWA
Segundo comunicado divulgado pelas companhias, menos de 30% das ações Classe A da CEPT foram resgatadas, o que preservou 71,5% do caixa em trust da SPAC. Na prática, isso aumenta a previsibilidade de capital para a empresa combinada e reduz um dos principais riscos desse tipo de transação: chegar à listagem com menos dinheiro do que o previsto.
A Securitize disse que os US$ 400 milhões esperados incluem investimentos privados em ações públicas, conhecidos como PIPEs, antes do desconto de despesas da transação. O valor será observado de perto porque a companhia atua em uma área que Wall Street passou a tratar como uma das aplicações mais concretas de blockchain: transformar fundos, títulos, crédito privado e outros ativos financeiros em representações digitais negociáveis em redes compatíveis.
A pauta também conversa com uma tendência que já vinha aparecendo no mercado. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a visão da Ondo para tokenização como nova onda dos ETFs, a disputa agora não está apenas em criar tokens, mas em conectar esses produtos a distribuição, custódia, compliance e liquidez institucional.
BlackRock reforça o peso institucional
A Securitize é conhecida por trabalhar com estruturas reguladas de valores mobiliários digitais e ganhou mais visibilidade com a expansão de fundos tokenizados. A presença de investidores e parceiros institucionais, incluindo a BlackRock, ajuda a explicar por que a operação está sendo acompanhada por gestores tradicionais e por empresas cripto ao mesmo tempo.
Esse contexto importa porque a tokenização deixou de ser uma narrativa isolada de DeFi e passou a disputar orçamento dentro de bancos, gestoras e bolsas. Em junho, o CriptoBR também relatou que a BlackRock passou a mirar stablecoins com fundos tokenizados, um movimento que aproxima liquidez digital, produtos de renda e infraestrutura de mercado.
Dados citados pelo CoinDesk apontam que o mercado de ativos reais tokenizados já supera US$ 30 bilhões, excluindo stablecoins. Projeções de longo prazo de consultorias como BCG e Ripple estimam que esse mercado pode alcançar trilhões de dólares na próxima década, embora esses números dependam de regulação, demanda institucional e padronização operacional.
O que muda se a listagem for aprovada
Uma empresa de tokenização listada na NYSE pode dar ao setor um termômetro público de valuation, receita e apetite dos investidores. Diferentemente de muitos protocolos cripto, a Securitize se posiciona como infraestrutura regulada para emissão, gestão e distribuição de securities digitais, o que a coloca mais perto de bancos e gestoras do que de uma exchange puramente varejista.
Para o investidor brasileiro, a leitura é simples: a tese de RWA está deixando de ser apenas promessa técnica e começa a passar por testes de mercado público. A listagem não garante adoção em massa, mas torna os números da companhia mais visíveis e pode pressionar concorrentes a mostrar tração real.
O movimento também se conecta a outras frentes de infraestrutura financeira. Em maio, a DTCC levou a tokenização de Wall Street à Stellar, reforçando que a disputa envolve redes públicas, sistemas permissionados e provedores regulados tentando definir onde os ativos financeiros vão circular.
O próximo ponto de atenção é a votação de 29 de junho. Caso os acionistas aprovem a combinação e as condições finais sejam cumpridas, a estreia da SECZ em 2 de julho deve virar um dos principais testes públicos para a narrativa de tokenização em 2026.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





