O Bitcoin caiu abaixo de US$ 60 mil e tocou US$ 59.175 antes de recuperar parte das perdas, em um movimento que liquidou quase US$ 1 bilhão em futuros cripto. A pressão veio de saídas em ETFs, Fed mais duro, dólar forte e liquidez mais fina, enquanto traders agora olham para a inflação PCE dos EUA.
O Bitcoin voltou a testar uma zona sensível do mercado nesta quinta-feira, 25 de junho, ao cair para US$ 59.175 durante a madrugada antes de se recuperar para perto de US$ 61.500, segundo dados citados pelo CoinDesk. O movimento provocou quase US$ 1 bilhão em liquidações de futuros entre Bitcoin, Ethereum, Solana e outros ativos cripto.
A queda atingiu principalmente posições compradas. Apenas nos contratos ligados ao Bitcoin, cerca de US$ 430 milhões em longs foram encerrados automaticamente conforme o preço perdeu suporte. A recuperação parcial não eliminou o alerta: o mercado segue pressionado por uma combinação de fluxo negativo em ETFs spot, postura mais cautelosa do Federal Reserve, dólar mais forte e baixa liquidez típica do meio do ano.
Por que o mercado perdeu força
Não houve um gatilho único. A correção acumulada desde o pico próximo de US$ 65.500 na segunda-feira mostra que a pressão se formou em camadas. O Bitcoin já vinha sofrendo com saídas persistentes dos ETFs spot nos EUA, enquanto a leitura mais dura do Fed reduziu o apetite por ativos de risco.
Esse pano de fundo conversa com a pressão vista no início da semana, quando o CriptoBR mostrou que o Bitcoin caiu a US$ 62 mil com fuga de risco em ações de chips. Agora, mesmo com a melhora pontual em tecnologia após resultados fortes da Micron, a cripto não acompanhou a recuperação no mesmo ritmo.
O dólar também pesa. Quando a moeda americana ganha força, ativos cotados em dólar ficam relativamente mais caros para compradores fora dos EUA, o que tende a tirar combustível de operações de risco. Para traders alavancados, esse cenário aumenta a chance de liquidações em cadeia quando níveis técnicos importantes são rompidos.
US$ 58 mil vira novo ponto de atenção
A região de US$ 59 mil segurou o primeiro choque, mas o mercado ainda olha para baixo. Segundo o CoinDesk, dados da CoinGlass indicam que cerca de US$ 1,6 bilhão em posições compradas alavancadas estão concentradas abaixo de US$ 58 mil. Uma perda dessa faixa poderia acelerar novas vendas forçadas.
Esse tipo de movimento é especialmente relevante porque o Bitcoin está próximo de médias de longo prazo acompanhadas por gestores e mesas profissionais. Em outra leitura recente, dados da Glassnode mostraram que a oferta de Bitcoin em prejuízo chegou a 10,83 milhões de BTC, recorde histórico, enquanto holders de longo prazo controlam cerca de 14,8 milhões de BTC.
O dado não significa, por si só, que o mercado encontrou um fundo. Ele mostra que a dor já se espalhou por uma parcela grande da oferta. Em ciclos anteriores, níveis elevados de moedas no prejuízo apareceram perto de fases de estresse, mas a duração dessas fases depende de liquidez, macroeconomia e confiança dos compradores.
ETFs e inflação dos EUA seguem no radar
O próximo teste vem do dado de inflação PCE dos EUA, indicador preferido do Federal Reserve. Uma leitura mais fraca pode aliviar a pressão sobre juros e dólar, enquanto um número acima do esperado tende a reforçar a cautela dos investidores.
Também pesa a dinâmica dos ETFs. O fluxo institucional foi uma das principais teses de suporte do Bitcoin durante o ciclo, mas as semanas recentes trouxeram resgates e menor disposição para aumentar exposição. Como o CriptoBR mostrou em outra análise, os Bitcoin OGs reduziram vendas e aliviaram parte da pressão, mas isso não basta se a demanda marginal continuar fraca.
Para o investidor brasileiro, o ponto principal é separar recuperação técnica de reversão de tendência. O salto de US$ 59 mil para a faixa de US$ 61 mil mostra defesa no curto prazo, mas ainda não resolve o problema de fluxo. Enquanto US$ 58 mil estiver tão carregado de liquidez alavancada, qualquer nova surpresa macro pode transformar volatilidade em nova rodada de liquidações.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





