As apostas no Polymarket para o Clarity Act virar lei em 2026 caíram ao menor nível desde o início do mercado. O atraso no Senado e a falta de acordo sobre regras de ética aumentam a incerteza para exchanges, emissores e projetos que esperam uma divisão mais clara entre SEC e CFTC.
As chances de o Clarity Act virar lei nos Estados Unidos em 2026 recuaram para o menor patamar registrado no Polymarket, refletindo a piora da confiança dos traders na capacidade do Senado de destravar o pacote de regras para ativos digitais ainda neste ano.
Segundo o CoinDesk, apostadores atribuíam na sexta-feira uma chance de 32% para a aprovação do projeto até 31 de dezembro de 2026. A própria página de legislação do Polymarket exibia o mercado “Clarity Act signed into law in 2026?” entre os principais da categoria, com volume na casa de US$ 2 milhões.
O que travou no Senado
O ponto central não é apenas o calendário. O projeto ainda precisa de apoio bipartidário suficiente para avançar no Senado, e a discussão sobre uma cláusula de ética virou um dos principais obstáculos. Democratas têm cobrado regras para lidar com possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades públicas e ativos digitais.
Esse impasse pesa porque o Congresso se aproxima do recesso de agosto, reduzindo a janela para transformar a negociação em texto final, votação e sanção. A queda das odds no Polymarket indica que o mercado passou a precificar uma chance menor de aprovação dentro de 2026, mesmo com pressão pública da indústria cripto.
A pauta também se conecta com o histórico recente do setor. O CriptoBR já mostrou que o Clarity Act poderia ganhar nova versão no Senado, mas a falta de consenso político segue atrasando uma proposta que tenta reorganizar a supervisão de tokens nos EUA.
Por que o Clarity Act importa para cripto
Se aprovado, o Clarity Act criaria um marco federal para os mercados de ativos digitais, com uma divisão mais explícita entre a atuação da SEC, focada em valores mobiliários, e da CFTC, ligada a commodities e derivativos. Na prática, a indústria quer substituir anos de regulação por enforcement por um conjunto de regras aprovado pelo Congresso.
Para exchanges, emissores de tokens, desenvolvedores e investidores institucionais, essa definição é relevante porque reduz a zona cinzenta sobre quais ativos podem ser listados, como plataformas devem se registrar e que obrigações se aplicam a cada tipo de produto. Sem esse mapa, empresas tendem a operar com mais cautela ou buscar jurisdições mais previsíveis.
A incerteza regulatória nos EUA já apareceu em outras frentes. Recentemente, o site destacou que a SEC prepara uma regra para aliviar startups cripto, sinal de que reguladores e legisladores tentam encontrar um equilíbrio entre proteção ao investidor e espaço para inovação.
Mercado ainda acompanha Washington
Apesar da queda nas apostas, a pauta não está encerrada. Executivos do setor voltaram a defender regras claras em audiência na Câmara, argumentando que a indefinição empurra atividade para fora dos Estados Unidos e dificulta investimentos de longo prazo. O argumento é conhecido: sem clareza, empresas ficam entre esperar, migrar ou assumir risco jurídico.
O caso também é importante para stablecoins e infraestrutura financeira, áreas que ganharam força nos últimos meses. Como o CriptoBR reportou na cobertura sobre a plataforma de stablecoins da Visa para bancos, grandes empresas de pagamentos já se movem para capturar a próxima fase de adoção. Um marco legal mais claro pode acelerar ou frear esse movimento, dependendo de como o texto final tratar registros, custódia e proteção ao usuário.
Por enquanto, o sinal do mercado é de cautela. A queda das probabilidades no Polymarket não decide o futuro da lei, mas mostra que traders passaram a enxergar o relógio legislativo como um risco real. Para o investidor cripto, o ponto a observar agora é se o Senado conseguirá apresentar uma linguagem de ética aceitável para os dois partidos antes que o calendário aperte de vez.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





