O Senado dos Estados Unidos aprovou por consentimento unânime uma resolução contra qualquer clemência federal a Sam Bankman-Fried, fundador da FTX. A medida não tem força de lei, mas sinaliza pressão política contra um eventual perdão presidencial no caso que ainda pesa sobre a reputação do mercado cripto.
O Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução que se opõe a qualquer forma de clemência federal para Sam Bankman-Fried, fundador da FTX condenado a 25 anos de prisão por fraude. A medida, registrada como S. Res. 772, foi aprovada por consentimento unânime na quarta-feira (15), segundo a agenda oficial de atividade legislativa do Senado.
Na prática, a resolução não obriga a Casa Branca nem altera a sentença. Ainda assim, ela aumenta o custo político de um eventual perdão presidencial ou comutação de pena, especialmente depois de Bankman-Fried ter formalizado uma tentativa de clemência. Como mostramos quando Bankman-Fried pediu perdão a Trump, o caso voltou ao radar de Washington em meio a um ambiente regulatório mais favorável para cripto.
O que o Senado aprovou
A resolução afirma que Bankman-Fried não deve receber clemência executiva, incluindo perdão presidencial ou redução de pena, e associa o tema à defesa do Estado de Direito e da integridade do sistema financeiro dos EUA. O texto foi apresentado pelo senador Ruben Gallego, democrata do Arizona, com apoio da senadora Cynthia Lummis, republicana do Wyoming.
Gallego e Lummis atuam em posições relevantes no debate sobre ativos digitais no Comitê Bancário do Senado. Ao apresentar a proposta em junho, os senadores citaram a dimensão do colapso da FTX e o impacto sobre clientes que perderam acesso a recursos após a quebra da corretora.
O movimento também chega em um momento em que o Congresso tenta avançar regras mais amplas para o setor. Em julho, o CriptoBR mostrou que Trump pressionou o Senado por uma regra cripto antes do recesso, enquanto projetos como o Clarity Act continuam disputando espaço na agenda legislativa.
Por que isso importa para o mercado cripto
O caso FTX segue sendo um dos maiores símbolos de falha de governança na indústria. Mesmo com a recuperação de parte dos ativos da massa falida, a condenação de Bankman-Fried virou referência política em discussões sobre custódia, conflito de interesses, transparência de exchanges e proteção ao consumidor.
Por isso, a resolução funciona menos como uma mudança jurídica imediata e mais como um recado institucional. Senadores de partidos diferentes estão tentando separar a agenda de regras para cripto da ideia de tolerância com fraudes antigas do setor. Essa distinção é importante porque o mesmo Congresso que debate estrutura de mercado, stablecoins e inovação também precisa responder à memória pública da FTX.
A votação por consentimento unânime reforça esse ponto. Nesse tipo de procedimento, a medida avança se nenhum senador se opuser, o que indica baixa disposição política para defender publicamente clemência ao ex-CEO da FTX neste momento.
FTX continua no centro da memória regulatória
Bankman-Fried foi condenado em 2024 a 25 anos de prisão depois de ser considerado culpado por acusações ligadas ao uso indevido de recursos de clientes da FTX. Desde então, processos paralelos envolvendo executivos, credores e acordos regulatórios continuam aparecendo no noticiário. Em maio, por exemplo, o CriptoBR relatou que o ex-diretor da FTX Nishad Singh fechou acordo com a CFTC.
Para investidores, o ponto central é que o caso ainda influencia a forma como autoridades enquadram risco no setor. A mensagem do Senado sugere que, mesmo em uma fase de maior abertura para leis cripto nos EUA, há pouco apetite para reabilitar politicamente o nome mais associado ao colapso da FTX.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





