O E*TRADE do Morgan Stanley liberou negociação spot de Bitcoin, Ethereum e Solana para clientes elegíveis nos EUA, em parceria com a zerohash. A oferta coloca criptoativos dentro de uma corretora tradicional de Wall Street e reforça a disputa por investidores que querem acessar cripto sem sair do ambiente financeiro convencional.
O Morgan Stanley avançou mais um passo na integração entre Wall Street e cripto. A divisão E*TRADE anunciou a liberação de negociação spot de ativos digitais, permitindo que clientes elegíveis nos Estados Unidos comprem, vendam e mantenham Bitcoin, Ethereum e Solana diretamente pela plataforma.
A operação será feita em parceria com a zerohash, provedora de infraestrutura para ativos digitais. Segundo o comunicado do próprio Morgan Stanley, os criptoativos ficarão em uma conta vinculada da zerohash, enquanto o cliente poderá visualizar essas posições ao lado dos investimentos tradicionais no E*TRADE.
O que muda para os clientes do E*TRADE
A novidade não é um ETF, contrato futuro ou produto sintético. O anúncio fala em negociação spot de Bitcoin, Ethereum e Solana, com preço de 50 pontos-base e acesso integrado às plataformas web e mobile do E*TRADE. A transferência de criptoativos deve ser lançada em etapa posterior, ainda neste ano, de acordo com a empresa.
Na prática, o movimento reduz uma barreira importante para investidores tradicionais: a necessidade de abrir conta em uma corretora cripto separada para ter exposição direta aos ativos. Para quem já usa o E*TRADE para ações, ETFs, IPOs ou planejamento financeiro, a experiência passa a concentrar parte do acesso a cripto no mesmo ecossistema.
O Morgan Stanley já vinha sinalizando interesse mais amplo pelo setor. Em maio, o CriptoBR mostrou que o E*TRADE estudava liberar negociação de Bitcoin. A diferença agora é que a oferta chegou ao mercado com três ativos logo no início: BTC, ETH e SOL.
Wall Street acelera a ponte com cripto
O timing também importa. A notícia vem em meio a uma sequência de produtos regulados e institucionais envolvendo criptoativos nos Estados Unidos. Nesta semana, a gestora T. Rowe Price iniciou a negociação de um ETF cripto ativo com exposição a múltiplos tokens, enquanto bancos, corretoras e gestoras seguem testando formas de levar ativos digitais a clientes que já operam no mercado tradicional.
Esse tipo de integração tende a competir com exchanges nativas, mas também pode ampliar o mercado endereçável. Um investidor conservador que evita transferências on-chain, carteiras próprias ou plataformas internacionais pode se sentir mais confortável ao operar dentro de uma marca conhecida. Ao mesmo tempo, a custódia e a infraestrutura seguem terceirizadas para empresas especializadas, como a zerohash.
O recorte de ativos escolhido também é revelador. Bitcoin segue como porta de entrada institucional, Ethereum mantém relevância pela infraestrutura de contratos inteligentes e Solana aparece como aposta de alta liquidez entre as redes alternativas. No Brasil, a presença de SOL em produtos de mercado tradicional também ganhou força recentemente, como mostrou o lançamento de opções de Bitcoin, Ether e Solana pela B3.
Por que isso importa
O anúncio reforça uma mudança estrutural: cripto deixa de ser apenas um produto de exchanges especializadas e passa a entrar, aos poucos, no menu de grandes plataformas financeiras. Isso não elimina riscos de volatilidade, nem transforma BTC, ETH ou SOL em ativos adequados para todos os perfis, mas muda a distribuição.
Para o investidor, o principal efeito é conveniência. Para o mercado, é sinal de que instituições com grande base de clientes já enxergam demanda suficiente para oferecer negociação direta. Para as exchanges cripto, o alerta é claro: parte da próxima onda de adoção pode vir por plataformas que o investidor tradicional já usa.
A estratégia ainda terá de provar tração. Custos, elegibilidade, disponibilidade por estado e funcionalidades de transferência serão pontos importantes para medir o alcance real do produto. Mesmo assim, a entrada do E*TRADE na negociação spot amplia a pressão competitiva em um setor que já deixou de depender apenas de narrativas de nicho.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





