Blockchain da Coinbase fortalece o Ethereum no longo prazo, diz pesquisador

A exchange Coinbase anunciou, nesta quinta-feira (23), a criação de sua solução de segunda camada sobre o Ethereum (ETH). A rede ganhou o nome de Base, e usará a linguagem de programação OP Stack, da Optimism (OP), que também é uma solução de escalabilidade em segunda camada.

A intenção da exchange é montar uma “superchain” com base na Optimism. Além disso, a Coinbase afirma que não tem planos para lançar um token para sua rede. Embora o preço do token OP tenha valorizado até 22% na tarde de hoje, a notícia beneficia o Ethereum no longo prazo.

Notícia positiva

A notícia foi recebida de forma positiva por diferentes entusiastas do Ethereum. Um deles foi Ryan Sean Adams, um dos co-fundadores do coletivo Bankless. Ele aponta que a escolha da Coinbase em criar uma rede sobre o Ethereum, em vez de criar uma blockchain de primeira camada, é um “grande voto de confiança”.

Além disso, Adams acrescenta que a exchange possui uma base de 110 milhões de usuários. “Se a Coinbase converter 20% desses usuários em usuários de soluções de segunda camada, o número será 10 vezes maior que o total de usuários nativos de criptomoedas.”

Sobre isso, a Coinbase já possui uma solução que permite a interação direta entre usuários e o Ethereum, chamada de Coinbase One. É o que destaca Guiriba, pesquisador da Paradigma Education, ao Cointelegraph Brasil. “Mas não tem tanta adoção, porque é necessário pagar uma taxa para utilizá-lo”, salienta.

A Base, por outro lado, dará aos usuários da Coinbase um ambiente “mais escalável e controlado” pela própria exchange, diz Guiriba. Para os clientes que são fiéis à Coinbase, a ideia parece muito mais atrativa, não só pela segurança, mas pelas taxas mais baixas. Isso pode ser positivo para o Ethereum.

O pesquisador também aponta o uso da linguagem OP Stack como algo que favorece a rede da segunda maior criptomoeda em valor de mercado. “Ao mesmo tempo que a Coinbase cria sua própria blockchain, isso aumenta a demanda pelo uso de ETH e deixa claro a confiança na segurança da Ethereum”, afirma Guiriba.

Redes como a Base são rollups que, explicados de forma simples, são responsáveis por aliviar o fardo do Ethereum ao processarem as transações fora da rede principal. Ao fim do processo, as informações referentes às informações processadas são encaminhadas à blockchain de primeira camada, fazendo com que a segurança do rollup seja resguardada pelo Ethereum.

A preferência em criar rollups sobre o Ethereum, em vez de criar uma nova blockchain do zero, pode ser um movimento intensificado pela escolha da Base, afirma Guiriba. Isso pode intensificar a narrativa de redes de segunda camada.

Fortalecendo a narrativa

Em muitos dos relatórios com previsões para o mercado cripto em 2023, as soluções de segunda camada do Ethereum foram apontadas como tema quente. O crescimento das aplicações da Arbitrum, que também é um rollup, e a expectativa sobre as zkEVM são alguns indicadores de que os relatórios estavam corretos.

Para Guiriba, a notícia da Coinbase intensifica a força desta narrativa, principalmente as discussões entre optimistic rollups e zk rollups. “Entre o fim do ano passado e o início deste ano, criou-se uma expectativa grande sobre o lançamento das zkEVM, como as da Polygon e zkSync. O lançamento da Base, contudo, pode fazer com que a atenção se volte novamente para os optimistic rollups.”

Mesmo que a narrativa sobre o modelo ideal de rollup varie ao longo do ano, as soluções de segunda camada do Ethereum continuarão, no geral, no centro dos holofotes. Guiriba aponta que um dos tópicos quentes relacionados ao assunto pode ser a criação de blockchains usando OP Stack.

“Vale ficar de olho no OP Stack, porque facilita a construção de blockchains, mas usando a estrutura de optimistic rollups.”

É arriscado?

O anúncio da Base cria um cenário muito favorável ao ecossistema Ethereum, que pode beneficiar o preço da ETH, seu ativo nativo. Esse novo cenário, porém, pode atrair a atenção de reguladores, gerando riscos à Coinbase, defende o pesquisador da Paradigma.

“SEC, CFTC e outros órgãos estão de olho nas empresas de criptomoedas. A Kraken fechou um acordo de US$ 30 milhões, e teve que pausar seu serviço de staking. O que impede a SEC de pressionar a Coinbase?”, destaca Guiriba.

O pesquisador reforça que o leque de produtos da Coinbase é maior, partindo de staking até a oferta de aplicações descentralizadas. Embora o regulador não tenha se manifestado sobre esses produtos até agora, é possível que o faça após a notícia envolvendo a criação de uma blockchain.

“Ainda que a Coinbase tenha deixado claro que não terá um token, os olhos do Gary Gensler vão ficar vidrados nos próximos passos da Coinbase”, conclui Guiriba.

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