A Binance vai migrar seu serviço de NFTs para a Binance Wallet e deu prazo até 3 de julho de 2026 para usuários retirarem ativos transferíveis da exchange. A mudança reforça a pressão sobre marketplaces centralizados de NFTs e empurra a gestão desses ativos para carteiras Web3.
A Binance anunciou nesta quarta-feira (3) que vai “atualizar” seu serviço de NFTs para a Binance Wallet, encerrando na prática o suporte ao modelo atual dentro da exchange. Usuários que ainda mantêm NFTs transferíveis na plataforma terão até 3 de julho de 2026 para sacar os ativos para a Binance Wallet ou para outra carteira compatível.
Segundo o aviso oficial da Binance, os NFTs que não forem retirados até a conclusão da mudança deixarão de ficar acessíveis pela interface da exchange. A empresa afirma que a decisão busca integrar a experiência de NFTs a recursos Web3 e descentralizados, mas o efeito imediato para o usuário é simples: quem depende do serviço custodial precisa agir dentro do prazo.
O que muda para quem tem NFT na Binance
A partir de 3 de junho de 2026, holders de NFTs transferíveis têm uma janela de um mês para mover os ativos. A Binance informou que vai enviar lembretes aos usuários elegíveis durante o período de transição.
A exchange também criou uma campanha de reembolso de taxas de saque. Até 100 mil usuários poderão receber 1 USDC por retirada elegível de NFTs não ligados à coleção CR7, desde que a transferência seja feita para a Binance Wallet via BNB Smart Chain ou Ethereum entre 3 e 17 de junho. Para NFTs da coleção CR7, o reembolso vale para saques feitos na BNB Smart Chain até 3 de julho, com crédito prometido até 19 de julho.
Os NFTs não transferíveis seguem outro caminho. A Binance diz que esses tokens foram codificados desde o início para não serem movidos e, por isso, também deixarão de aparecer após 3 de julho. No caso de certificados de cursos da Binance Academy, a empresa pretende emitir certificados em PDF para substituir os NFTs afetados.
A mudança conversa com um movimento recente da própria empresa para concentrar mais produtos dentro da camada de carteira. Em maio, o CriptoBR mostrou como a Binance Wallet levou o Event Rush à BNB Chain, ampliando o uso de aplicativos on-chain dentro do ecossistema.
Mercado de NFTs perdeu força nas exchanges
O recuo da Binance não acontece isoladamente. A The Defiant observou que a decisão se soma ao fechamento ou redução de outros marketplaces ligados a exchanges, incluindo Coinbase NFT e Kraken NFT. O setor ainda existe, mas ficou bem menor do que no auge de 2021 e 2022.
Dados citados pela The Defiant apontam que o volume anualizado de negociação de NFTs em todas as blockchains ficou perto de US$ 5,5 bilhões em 2025, contra mais de US$ 50 bilhões no pico de 2022. Esse encolhimento ajuda a explicar por que grandes plataformas passaram a priorizar produtos com maior demanda, como carteiras, pagamentos, tokenização e negociação de ativos tradicionais.
No caso da Binance, essa realocação é ainda mais visível porque a empresa também vem acelerando iniciativas fora do mercado cripto puro. O CriptoBR cobriu recentemente que a Binance levou ações dos EUA ao app e preparou os bStocks, produto que mira ações tokenizadas e infraestrutura na BNB Chain.
Autocustódia ganha espaço, mas exige atenção
Para usuários, a migração tem um ponto positivo e um risco. A gestão via carteira Web3 dá mais controle direto sobre os ativos, mas também exige cuidado com rede, endereço, taxas e segurança. Um saque para a rede errada ou para uma carteira incompatível pode gerar perda definitiva.
Esse é o mesmo tipo de alerta que aparece em outros movimentos de autocustódia. Em maio, o CriptoBR mostrou como a VKx Wallet reforçou a autocustódia e o uso sem gás na BNB, sinal de que carteiras estão virando uma camada cada vez mais central do varejo cripto.
Na prática, a decisão da Binance marca mais uma etapa da transição dos NFTs: menos vitrine dentro de exchanges centralizadas e mais integração com carteiras, apps on-chain e mercados nativos da Web3. Para quem ainda guarda NFTs na Binance, o prazo agora é o dado mais importante.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





