As maiores carteiras de Ethereum voltaram a acumular durante a queda do ETH e agora controlam 17,41 milhões de moedas, segundo dados da Santiment. O movimento ocorre mesmo com o preço pressionado perto de US$ 2 mil e com saques persistentes nos ETFs spot de Ethereum.
As megabaleias do Ethereum aumentaram posição enquanto o mercado ainda tenta digerir a fraqueza recente do ETH. Dados publicados pela Santiment mostram que carteiras com pelo menos 100 mil ETH agora somam 17,41 milhões de moedas, o maior nível em nove semanas.
Esse grupo passou a controlar 22,03% de toda a oferta de ETH, uma máxima de dez semanas. O dado chama atenção porque aparece em um momento de pressão: o Ethereum perdeu força em maio, voltou a testar a região dos US$ 2 mil e continua convivendo com saques em produtos institucionais.
Megabaleias compram enquanto o preço cai
A leitura mais importante não é apenas o tamanho da posição, mas o contraste com o preço. Segundo análise da 24/7 Wall St. com base em dados da Santiment, carteiras de baleias fora de corretoras, custodiantes e pools de staking adicionaram mais de US$ 2 bilhões em ETH entre 1º e 29 de maio, enquanto o ativo caiu cerca de 12% no mesmo período.
Esse recorte tenta separar endereços operacionais de endereços com perfil mais próximo de investimento. Em outras palavras, não se trata simplesmente de ETH sendo movido por corretoras para rebalanceamento interno, mas de uma possível recomposição de posição por grandes detentores.
Para o leitor, o sinal é relevante porque a queda recente do ETH não está sendo acompanhada por uma capitulação clara das maiores carteiras. O mercado ainda está fraco, mas há uma diferença entre preço caindo com distribuição pesada e preço caindo enquanto grandes participantes absorvem oferta.
O CriptoBR mostrou nesta semana que baleias enviaram US$ 2,4 bilhões à Binance, mas faltaram compradores, um sinal de cautela no fluxo de curto prazo. A novidade agora é que, no caso específico do Ethereum, os maiores endereços monitorados pela Santiment voltaram a aumentar participação agregada.
ETFs seguem como ponto de pressão
O outro lado da história está nos ETFs. A própria análise destaca que o Ethereum sofreu com uma sequência de saídas nos fundos spot durante maio, com cerca de US$ 401 milhões em resgates acumulados no mês. Esse fluxo institucional mais fraco ajuda a explicar por que a acumulação on-chain, sozinha, ainda não virou uma recuperação convincente no preço.
O contexto lembra o que ocorreu com o Bitcoin nos últimos dias: os ETFs de Bitcoin também bateram recorde de saques seguidos, reforçando uma fase em que parte do capital institucional está reduzindo risco em cripto. Quando os ETFs vendem ou deixam de captar, a pressão aparece primeiro no preço, mesmo que carteiras on-chain estejam comprando a queda.
No caso do ETH, a região de US$ 2 mil virou um termômetro psicológico. Uma recuperação sustentada acima desse patamar poderia aliviar parte da pressão técnica, mas uma nova perda de suporte manteria o mercado vulnerável a liquidações e novas vendas defensivas.
Acúmulo não é garantia de fundo
O acúmulo das megabaleias não deve ser lido como garantia de fundo. Grandes carteiras também podem vender em ralis, usar derivativos para hedge ou simplesmente acumular em etapas durante tendências de baixa. O dado mostra posicionamento, não promessa de alta.
Mesmo assim, o comportamento merece atenção porque indica uma divergência entre sentimento e fluxo on-chain. Enquanto investidores menores reagem à queda e aos saques em ETFs, uma parte dos maiores endereços parece tratar a fraqueza como oportunidade de recomposição.
Para quem acompanha Ethereum, os próximos sinais estão em três frentes: se as baleias continuam aumentando saldo, se os ETFs de ETH conseguem interromper a sequência de saques e se o preço consegue se manter acima das zonas de suporte próximas a US$ 2 mil. Sem esses três pontos alinhados, o movimento das baleias pode ser apenas absorção temporária dentro de um mercado ainda defensivo.
A leitura final é simples: o Ethereum segue pressionado no curto prazo, mas os maiores endereços da rede estão fazendo o oposto do varejo assustado. Isso não elimina o risco, mas muda a qualidade da queda e coloca o fluxo das baleias no centro da próxima tentativa de recuperação.
O pano de fundo também conversa com a rotação mais ampla do mercado, em que cripto ficou para trás no rali das ações enquanto alguns tokens específicos ganharam tração. Se o apetite por risco voltar, o ETH pode ser um dos ativos em que o posicionamento on-chain será testado primeiro.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





