Brian Armstrong, CEO da Coinbase, disse que o Bitcoin pode ter encontrado fundo perto de US$ 60 mil, embora tenha ressaltado que ninguém consegue afirmar isso com certeza. A fala chega após o BTC voltar para a faixa de US$ 66 mil, mas o mercado ainda observa demanda fraca, fluxos de ETFs instáveis e riscos macro.
Brian Armstrong, CEO da Coinbase, voltou a defender uma leitura otimista para o Bitcoin nesta segunda-feira (15), dizendo que sua “intuição” é que o ativo provavelmente já encontrou um fundo perto de US$ 60 mil. A declaração, publicada em vídeo no X e repercutida pelo CoinDesk, ocorre após o BTC recuperar a região acima de US$ 66 mil depois de tocar mínimas próximas de US$ 59,7 mil no começo de junho.
O ponto central para o investidor brasileiro é simples: a fala de Armstrong reforça a narrativa de que a queda recente pode ter sido um ajuste de ciclo, não necessariamente o início de uma nova capitulação. Ainda assim, o próprio executivo evitou cravar um fundo definitivo, e indicadores de demanda seguem mistos.
Armstrong cita ciclo de quatro anos do Bitcoin
Armstrong afirmou que continua comprado em Bitcoin e descreveu o ativo como uma espécie de “ouro digital” para a próxima fase da economia. Segundo ele, o preço atual deve parecer baixo em uma leitura de longo prazo até 2030, especialmente se a adoção continuar avançando em pagamentos, derivativos, stablecoins e aplicações financeiras on-chain.
A tese se apoia no ciclo de quatro anos do Bitcoin, historicamente associado aos halvings. Em ciclos anteriores, o mercado costuma alternar fases de euforia, correção e formação de fundo antes de uma nova tendência mais forte. Essa leitura dialoga com a visão publicada recentemente pelo CriptoBR, quando o Standard Chartered apontou a região de US$ 59 mil como possível fundo do Bitcoin.
Mas há uma diferença importante entre narrativa e confirmação. Um fundo técnico só ganha força quando a recuperação vem acompanhada de volume, fluxo institucional consistente e melhora no apetite por risco. Sem isso, o repique pode continuar vulnerável a novas vendas.
Recuperação veio com alívio macro, mas ainda exige cautela
O Bitcoin subiu junto com outros ativos de risco após o mercado reagir melhor ao acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, movimento que ajudou a aliviar parte da pressão sobre petróleo e inflação. Como o CriptoBR mostrou mais cedo, o Bitcoin já havia saltado com o alívio no petróleo após o acordo EUA-Irã.
Esse pano de fundo ajuda a explicar a recuperação de curto prazo, mas não resolve todas as dúvidas. Fluxos dos ETFs spot de Bitcoin nos EUA continuam instáveis, e a demanda marginal de empresas compradoras de BTC perdeu força em relação aos períodos mais aquecidos do ciclo. Na prática, a fala de Armstrong entra como sinal de confiança, não como prova de que a tendência virou.
Também pesa o fato de o Bitcoin ainda negociar bem abaixo da máxima histórica próxima de US$ 126 mil registrada em 2025. A distância mantém investidores divididos entre quem vê oportunidade de acumulação e quem prefere esperar uma confirmação acima de resistências mais claras.
O que observar agora
Para traders, a zona de US$ 60 mil passa a funcionar como referência psicológica relevante. Se o BTC mantiver fundos ascendentes e ampliar a recuperação com entrada de capital em ETFs, a leitura de Armstrong tende a ganhar tração. Se perder essa região novamente, o mercado pode voltar a discutir cenários mais defensivos.
Para holders, a mensagem é menos sobre acertar o fundo exato e mais sobre entender a assimetria do ciclo. O mercado já viu leituras parecidas antes: executivos e analistas ficam mais construtivos quando o pessimismo começa a perder força, mas a confirmação costuma vir só depois, quando a liquidez retorna de forma mais clara.
Esse debate também conversa com a pressão recente sobre produtos regulados. O CriptoBR acompanhou como os ETFs de Bitcoin voltaram ao nível pós-eleição de Trump, mostrando que o fluxo institucional segue sendo uma das variáveis mais importantes para validar ou frustrar uma nova perna de alta.
Por enquanto, Armstrong coloca peso institucional na tese de que o pior da correção pode ter ficado para trás. A parte que falta é o mercado confirmar essa leitura com preço, volume e entradas consistentes.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





