O Standard Chartered afirmou que o Bitcoin provavelmente marcou o fundo do ciclo perto de US$ 59 mil. A leitura depende de alívio nos saques de ETFs, da estreia da SpaceX em bolsa e de um ambiente macro menos pressionado.
O Bitcoin pode ter deixado para trás a fase mais dura da correção recente, segundo avaliação do Standard Chartered divulgada nesta sexta-feira (12). O banco apontou que a mínima próxima de US$ 59 mil, registrada em 5 de junho, provavelmente marcou o fundo do ciclo atual, em meio à recuperação do ativo para a região de US$ 64 mil.
A tese foi apresentada pelo analista Geoffrey Kendrick e publicada pelo CoinDesk. Segundo o relatório, a queda acumulada desde a máxima histórica de outubro chegou a cerca de 53%, mas a combinação de catalisadores macro e menor pressão vendedora pode estar mudando o humor do mercado.
Por que o banco vê fundo no Bitcoin
O ponto central da análise é que parte da venda recente teria sido ligada a uma busca temporária por caixa antes da estreia da SpaceX na bolsa. Com a listagem já em andamento, o Standard Chartered espera que essa pressão diminua e abra espaço para uma recomposição de posições em criptoativos.
O contexto ajuda a explicar a cautela. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos vêm sofrendo resgates relevantes em junho, com perdas acumuladas de US$ 2,1 bilhões no mês, segundo dados compilados pela Decrypt. Esse movimento aprofundou a correção e reduziu o apetite por risco, especialmente entre investidores que vinham usando os fundos como porta de entrada mais simples para exposição ao BTC.
O CriptoBR já havia mostrado que os ETFs de Bitcoin voltaram ao nível pós-eleição de Trump em meio ao enfraquecimento do fluxo. Também reportamos que a BlackRock prepara um ETF de renda com Bitcoin para a Nasdaq, sinal de que a indústria institucional continua criando produtos mesmo durante a queda de preço.
SpaceX, ETFs e macro entram na conta
Além dos fluxos de ETF, Kendrick citou a estreia da SpaceX e a expectativa de alívio geopolítico entre Estados Unidos e Irã como fatores capazes de reduzir a pressão sobre ativos de risco. A lógica é simples: petróleo mais calmo, menor tensão macro e recomposição de fluxo institucional tendem a favorecer Bitcoin, especialmente depois de uma queda agressiva.
O próprio tema SpaceX já vinha aparecendo no radar cripto. Em abril, o CriptoBR analisou como o IPO da SpaceX poderia sugar liquidez do Bitcoin, justamente pela competição por capital entre uma das maiores ofertas de ações do ano e posições em ativos digitais.
Isso não significa que a recuperação esteja garantida. O Bitcoin ainda negocia abaixo de níveis que o mercado vinha tratando como suporte psicológico nos últimos meses, e novos resgates em ETFs poderiam atrasar qualquer retomada mais consistente. A própria leitura do Standard Chartered depende de sinais adicionais, como retomada de entradas nos fundos, estabilização do petróleo e renovação do apetite comprador de grandes tesourarias corporativas.
O que muda para o investidor
Para traders, a região entre US$ 59 mil e US$ 64 mil passa a funcionar como uma área de confirmação. Se o preço sustentar a recuperação e os ETFs pararem de sangrar, a tese de fundo ganha força. Se a pressão vendedora voltar, a chamada de “fim do inverno” pode ser vista apenas como uma tentativa precoce de cravar reversão.
Para investidores de prazo maior, a mensagem é menos sobre comprar o fundo perfeito e mais sobre observar se o mercado institucional volta a acumular. O Bitcoin ainda depende de liquidez global, confiança macro e demanda recorrente de fundos regulados para transformar uma recuperação técnica em uma nova tendência de alta.
Por enquanto, o dado mais importante é que o mercado parou de cair no ponto em que o Standard Chartered esperava maior capitulação. A próxima resposta virá dos fluxos: se o dinheiro voltar aos ETFs, o argumento de que a mínima em US$ 59 mil foi o fundo ficará mais difícil de ignorar.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





