A Allbridge pausou o Allbridge Core após um incidente de segurança que teria drenado cerca de US$ 1,65 milhão de pools na Solana. O caso reacende o alerta para bridges cross-chain e para riscos em pools de stablecoins usados como infraestrutura de liquidez.
A Allbridge pausou o protocolo Allbridge Core depois de detectar um incidente de segurança em sua infraestrutura cross-chain. Segundo a própria equipe, a medida foi tomada como precaução enquanto a investigação avança, e provedores de liquidez em pools afetados foram orientados a retirar fundos.
O ataque teria atingido a implantação do Allbridge Core na Solana e drenado aproximadamente US$ 1,65 milhão, de acordo com estimativas citadas pelo Cointelegraph. Monitoramentos on-chain apontam que parte dos fundos foi movida de Solana para Ethereum e depois encaminhada para ferramentas de privacidade.
O comunicado da Allbridge no X resume a orientação emergencial aos usuários:
https://x.com/Allbridge_io/status/2078932561036722319
Como o ataque teria funcionado
A Onchain Lens afirmou que o atacante usou um flash loan de US$ 1,12 milhão em USDC na Kamino para distorcer a relação entre USDC e USDT em pools do Allbridge Core na Solana. Em seguida, a retirada de liquidez teria ocorrido com preços desequilibrados, mecanismo típico de exploração em pools com baixa margem para erro.
Na prática, o problema não precisa envolver necessariamente uma falha simples de carteira ou senha: em ataques desse tipo, o alvo costuma ser a lógica econômica do pool. Se a precificação interna pode ser alterada dentro de uma mesma transação, um empréstimo relâmpago pode criar uma janela curta o suficiente para extrair valor antes que o mercado volte ao equilíbrio.
O incidente também pesa porque bridges continuam entre os pontos mais sensíveis de DeFi. Elas conectam redes diferentes, concentram liquidez e dependem de mecanismos de validação que precisam funcionar sem atrito em ambientes com regras próprias. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre hacks bilionários em DeFi, esse tipo de infraestrutura permanece no radar de atacantes justamente por combinar alto valor travado e complexidade operacional.
Impacto para usuários e para a Solana
Para usuários comuns, a orientação mais importante é simples: quem tinha liquidez em pools afetados deve acompanhar os canais oficiais da Allbridge e evitar novas interações até a conclusão da investigação. A pausa reduz o risco de dano adicional, mas também interrompe rotas usadas por quem depende da ponte para movimentar stablecoins entre redes.
Para a Solana, o caso é mais um lembrete de que crescimento em DeFi exige liquidez robusta, mas também controles de risco compatíveis com pools que podem ser manipulados em segundos. O ecossistema vem ganhando espaço em aplicações de pagamento e stablecoins, como já apareceu na cobertura sobre a entrada da MoneyGram como validadora da Solana, mas incidentes de infraestrutura podem afetar a confiança de integradores.
O episódio também dialoga com a disputa mais ampla entre stablecoins no uso real de DeFi. Em análise recente, o CriptoBR destacou que USDC lidera em DeFi enquanto USDT domina pagamentos. Em pools cross-chain, a liquidez entre esses ativos precisa operar com spreads apertados; quando essa paridade interna é quebrada artificialmente, o prejuízo pode aparecer rápido.
O que observar agora
O ponto central é o post-mortem da Allbridge. Ainda falta detalhar se a perda final ficará mesmo perto de US$ 1,65 milhão, quais pools foram afetados, se haverá plano de compensação e quando o Allbridge Core poderá voltar a operar com segurança.
Até lá, a leitura para o mercado é cautelosa: o valor drenado não é sistêmico, mas o vetor importa. Bridges e pools de stablecoins são parte da infraestrutura invisível de DeFi. Quando essa camada falha, o impacto vai além do protocolo atingido e reforça a necessidade de limites de saque, oráculos mais resilientes e mecanismos de pausa que sejam rápidos sem virar ponto único de dependência.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





