A Visa fechou parceria com a WeFi, empresa de infraestrutura de stablecoins cofundada por Reeve Collins, um dos nomes por trás da Tether. A iniciativa quer conectar DeFi, contas com IBAN e a rede global da Visa em pagamentos on-chain, começando por mercados selecionados na Europa, Ásia e América Latina.
A Visa está avançando em sua estratégia de pagamentos com stablecoins por meio de uma parceria com a WeFi, plataforma cofundada por Reeve Collins, conhecido por sua passagem pela Tether. Segundo o CoinDesk, a proposta é criar uma camada de infraestrutura capaz de aproximar serviços bancários, DeFi e pagamentos regulados em uma experiência mais parecida com uma conta tradicional.
Na prática, a WeFi quer funcionar como uma ponte entre carteiras on-chain e trilhos financeiros já conhecidos por consumidores e comerciantes. A empresa descreve sua tecnologia como uma camada de orquestração entre finanças descentralizadas e infraestrutura regulada de pagamentos, com foco em gastos internacionais, armazenamento de valor on-chain e acesso para populações subatendidas por bancos.
Por que a entrada da Visa importa
A notícia reforça um movimento que vem ganhando força em 2026: stablecoins deixando de ser apenas instrumento de trading para ocupar espaço em pagamentos, remessas e produtos financeiros de uso cotidiano. A própria Visa afirma em sua página institucional sobre stablecoins que sua rede pode permitir cartões vinculados a saldos em moedas digitais, movimentação internacional de dinheiro e infraestrutura para emissão e transação de stablecoins.
Esse contexto ajuda a explicar por que empresas de pagamento estão olhando para o setor com mais atenção. Como o CriptoBR mostrou recentemente, a Ripple vê stablecoins multiativos virarem padrão global, enquanto a Morgan Stanley lançou um fundo para reservas de stablecoins. O ponto comum entre essas iniciativas é a tentativa de levar liquidação mais rápida e programável para estruturas financeiras que ainda dependem de sistemas legados.
No caso da WeFi, Collins afirmou ao CoinDesk que a companhia está “atualizando o encanamento” e oferecendo algo equivalente a contas bancárias, com a expectativa de incluir números IBAN conforme obtém licenças em diferentes jurisdições. A implantação deve ocorrer região por região, inicialmente em mercados selecionados da Europa, Ásia e América Latina, condicionada a aprovações regulatórias locais e parcerias com emissores.
Stablecoins entram na fase regulada
A parceria também mostra que a disputa em stablecoins está migrando para uma fase mais institucional. Não basta emitir um token pareado ao dólar; agora, o desafio é integrar custódia, conformidade, liquidez, cartões, bancos parceiros e experiência de usuário em um produto que possa operar sem fricção no mundo real.
Para a Visa, a colaboração permite testar modelos on-chain sem abandonar a confiabilidade e os padrões regulatórios esperados de uma rede global de pagamentos. Mathieu Altwegg, chefe de produtos e soluções da Visa na Europa, disse que a iniciativa demonstra como a rede da empresa pode interagir com modelos on-chain dentro de estruturas regulatórias estabelecidas.
Para usuários finais, o impacto potencial está em pagamentos internacionais mais rápidos, menor dependência de intermediários locais e acesso a serviços parecidos com banco mesmo em regiões onde a infraestrutura financeira é limitada. Ainda assim, o projeto depende de licenças, parceiros emissores e aceitação regulatória — fatores que costumam definir a velocidade real de adoção.
O movimento conversa com uma tendência mais ampla já observada no mercado europeu. O CriptoBR também reportou que a MiCA tornou stablecoins em euro mais seguras, mas ainda pouco competitivas. Isso indica que a próxima etapa das stablecoins pode ser menos sobre hype e mais sobre distribuição, conformidade e integração com redes de pagamento que já chegam a milhões de comerciantes.
O que observar agora
O principal ponto a acompanhar será onde a WeFi e a Visa conseguirão lançar primeiro e quais stablecoins, bancos e emissores participarão da operação. Se a integração entregar contas, cartões e liquidação on-chain com experiência simples, a parceria pode se tornar um teste relevante para a tese de que stablecoins serão uma camada invisível de pagamentos globais, e não apenas um ativo usado dentro de exchanges.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





