A governança da Uniswap avalia expandir a cobrança de taxas do protocolo e a queima de UNI para BNB Chain, Polygon e Celo. A proposta pode tornar a BNB Chain parte da infraestrutura de captura de valor da maior DEX do mercado, mas também aumenta a complexidade de governança multichain.
A Uniswap colocou a BNB Chain no centro de uma nova etapa do seu plano de transformar volume de negociação em captura de valor para o protocolo. Uma proposta publicada no fórum de governança quer expandir a infraestrutura de cobrança de taxas e queima de UNI para BNB Chain, Polygon e Celo, levando o chamado “fee switch” para mais redes fora da Ethereum.
Se aprovada, a mudança permitirá que taxas de pools v2 e v3 sejam direcionadas para contratos de coleta em cada rede. No caso da BNB Chain, a proposta prevê configurar o contrato TokenJar como coletor de taxas da Uniswap v2 e transferir a propriedade da factory v3 para um adaptador de taxas abertas. Na prática, é a peça operacional que permite separar uma fração das taxas de swap para o protocolo, em vez de deixar todo o valor apenas com provedores de liquidez.
O que a proposta muda na BNB Chain
Segundo o texto de governança da Uniswap, a expansão continua o roteiro aprovado no pacote UNIfication. Desde que as taxas do protocolo entraram em operação na Ethereum no fim de dezembro, o sistema já foi levado para redes como Arbitrum, Base, Optimism, Soneium, X Layer, Worldchain e Zora.
A nova etapa mira três frentes. A primeira é estender a infraestrutura de coleta e queima para BNB Chain e Polygon. A segunda é habilitar taxas de protocolo em pools v2 e v3 nessas redes. A terceira é concluir a ativação na Celo por meio de um caminho de governança corrigido, depois de uma falha de configuração em uma aprovação anterior.
Na documentação da Uniswap, taxas de protocolo são descritas como uma parte das taxas de swap que vai para contratos controlados pela governança, separada da remuneração dos LPs. Nos pools v2, a configuração padrão citada pela Uniswap equivale a 0,05% do swap de 0,30%. Em pools v3, a fatia varia conforme o nível de taxa do pool, com exemplos de 0,0025% para pools de 0,01% e 0,05% para pools de 0,30%.
Para quem acompanha a BNB Chain, o movimento importa porque adiciona mais uma camada de atividade de DEX institucionalizada na rede. O CriptoBR já mostrou que a rede vem tentando se posicionar em frentes como preparação contra ameaça quântica e tokens de agentes de IA. Agora, a pauta é mais direta para DeFi: quem captura valor quando o volume passa pela infraestrutura da Uniswap.
Queima de UNI e governança multichain
O desenho proposto usa TokenJars em cada rede. As taxas acumuladas ficam nesses contratos e podem ser liberadas por participantes que queimam UNI. Em BNB Chain e Polygon, a implementação usa o mecanismo Native Token Transfer da Wormhole para lidar com a gestão multichain do token, segundo a proposta.
Esse ponto é relevante porque a Uniswap está tentando resolver um problema recorrente em protocolos grandes: como capturar valor em várias redes sem fragmentar a governança. Quanto mais redes entram no sistema, maior o potencial de receita agregada, mas também maior a dependência de mensagens cross-chain, adaptadores, bridges e revisão técnica dos payloads.
A equipe de governança da L2BEAT afirmou no fórum que votou a favor depois de revisar contratos, bytecode e payloads esperados para Celo, BNB Chain e Polygon. O apoio não elimina o risco operacional, mas mostra que a proposta passou por uma camada pública de checagem antes de avançar.
Para usuários finais, a mudança não significa automaticamente uma nova taxa visível na interface. A taxa de protocolo sai de uma parte da taxa já cobrada pelo pool, reduzindo a fatia que iria aos provedores de liquidez quando ativada. Por isso, o impacto principal tende a ser sentido por LPs, pela economia do token UNI e por traders que dependem de liquidez profunda em pares específicos.
Por que isso importa para o DeFi
A discussão chega em um momento em que protocolos DeFi tentam provar que conseguem gerar receita sustentável, não apenas volume. O CriptoBR acompanhou recentemente como o setor também enfrenta pressão por riscos operacionais, depois de hacks em bridges e protocolos DeFi. A expansão de taxas da Uniswap mostra o outro lado da mesma moeda: amadurecimento econômico, mas com mais complexidade técnica.
Para a BNB Chain, a inclusão no plano reforça que a rede continua relevante para DEXs multichain, mesmo em um mercado onde Ethereum e suas L2s ainda concentram grande parte da narrativa institucional. Para a Uniswap, a aposta é clara: se o protocolo quer que UNI tenha conexão mais direta com uso real, precisa capturar valor onde o volume acontece, não apenas na mainnet.
A proposta ainda depende do processo de governança. Se passar, BNB Chain, Polygon e Celo entram em uma fase mais madura do fee switch, aproximando a Uniswap de um modelo em que atividade multichain, taxas e queima de token passam a fazer parte do mesmo ciclo econômico.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





