A TRON DAO informou que o USDT emitido na rede passou de US$ 90 bilhões em circulação. O marco reforça o papel da blockchain como uma das principais infraestruturas de liquidação em stablecoins, com cerca de US$ 4,2 trilhões em volume de transferências no acumulado do ano.
O USDT na rede TRON ultrapassou US$ 90 bilhões em circulação, segundo anúncio feito pela TRON DAO nesta sexta-feira (10). O número consolida a blockchain como uma das rotas mais usadas para transferências de dólar digital, especialmente em pagamentos, remessas e movimentações de alta frequência.
De acordo com a publicação, dados atribuídos à Token Terminal indicam que a TRON lidera o volume de transferências de USDT no acumulado de 2026, com aproximadamente US$ 4,2 trilhões movimentados. A rede também aparece na cobertura da The Block como uma das principais estruturas para o uso diário de stablecoins.
https://x.com/trondao/status/2075323353636757988
Por que o marco importa para o mercado
Stablecoins deixaram de ser apenas uma ferramenta de entrada e saída em corretoras. Hoje, tokens como USDT e USDC funcionam como camada de liquidação para pagamentos internacionais, mesas OTC, DeFi e usuários que buscam exposição ao dólar fora do sistema bancário tradicional.
A TRON ganhou espaço nesse segmento por oferecer transferências rápidas e custos baixos em comparação com redes mais caras em períodos de congestionamento. Para quem usa stablecoins no dia a dia, a diferença de custo por transação pesa mais do que narrativas técnicas sobre descentralização ou ecossistema de aplicativos.
O avanço também aparece em um momento em que a disputa por liquidez em stablecoins está mais intensa. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o volume de stablecoins medido pela Visa, a competição entre redes depende menos do marketing e mais de onde usuários, corretoras e empresas realmente liquidam valor.
TRON concentra uso, mas não elimina riscos
O crescimento do USDT na TRON reforça uma leitura pragmática: a demanda por dólar tokenizado continua alta, mesmo em ciclos de mercado mais fracos. A infraestrutura que oferece liquidez profunda, baixo custo e ampla integração tende a capturar uso recorrente.
Ao mesmo tempo, concentração também traz questionamentos. Reguladores e empresas de compliance acompanham de perto o fluxo de stablecoins em redes públicas, principalmente porque a facilidade de transferência pode ser usada tanto para pagamentos legítimos quanto para movimentações suspeitas. A própria expansão das stablecoins tem levado bancos, fintechs e autoridades a se posicionarem com mais força.
Esse contexto ajuda a explicar por que players tradicionais estão se aproximando do setor. Recentemente, o CriptoBR noticiou que a Sony avançou com um projeto de stablecoin após aval do OCC nos EUA, enquanto a Aave lançou vaults de stablecoins voltados a fintechs.
O que observar daqui em diante
Para investidores, o dado não significa necessariamente alta imediata para TRX ou qualquer outro ativo ligado à TRON. O ponto principal é estrutural: a rede segue relevante como trilho de liquidação para USDT, um dos instrumentos mais usados do mercado cripto.
O próximo teste será saber se esse volume se traduz em receitas sustentáveis, integração com serviços regulados e uso além das transferências simples. Se isso ocorrer, a disputa entre TRON, Ethereum, Solana, BNB Chain e outras redes por stablecoins deve ficar ainda mais estratégica ao longo de 2026.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





