O USDC respondeu por cerca de 70% do volume ajustado de transações com stablecoins no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Visa citados pelo CoinDesk. O dado reforça a disputa com o USDT e mostra como bancos tradicionais estão acelerando a adoção de stablecoins para liquidação, custódia e tesouraria.
O USDC, stablecoin emitida pela Circle, abriu uma vantagem relevante sobre o USDT em volume ajustado de transações no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do painel on-chain da Visa citados pelo CoinDesk, o token da Circle respondeu por cerca de 70% do volume ajustado de stablecoins no período, enquanto a Tether ficou perto de 25%.
O avanço chama atenção porque stablecoins deixaram de ser apenas infraestrutura de traders e exchanges. Com bancos como BNY e Standard Chartered ampliando serviços ligados ao USDC, o mercado começa a tratar esses ativos como trilhos de pagamento, liquidação e tesouraria para instituições tradicionais.
Volume ajustado bate recorde em junho
De acordo com o CoinDesk, o volume ajustado de transações com stablecoins chegou a US$ 1,79 trilhão em junho de 2026. O número representa alta de 63% em relação a maio, quando o painel marcou US$ 1,1 trilhão, e avanço de 125% sobre junho de 2025, quando o volume estava perto de US$ 795 bilhões.
A métrica é importante porque a Visa tenta filtrar atividade que não reflete uso econômico real, como movimentações entre exchanges, bots e outros fluxos puramente técnicos. Isso não elimina todas as distorções, mas torna o dado mais útil para medir demanda transacional em vez de apenas giro bruto on-chain.
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o mercado de stablecoins somou US$ 8,82 trilhões em volume ajustado. Esse total já supera os US$ 5,8 trilhões registrados em todo o ano de 2024 e fica apenas US$ 2 trilhões abaixo do recorde de US$ 10,8 trilhões visto em 2025.
USDC ganha força no trilho institucional
A liderança do USDC em volume ajustado mostra uma mudança estrutural. Em 2020, o USDT representava quase 90% desse tipo de volume, enquanto o USDC ficava abaixo de 10%. Em 2022, o USDC já havia avançado para perto de 45%, e agora aparece como o principal ativo em transações ajustadas no painel da Visa.
Parte desse movimento vem do perfil de adoção. A Tether segue dominante em liquidez global, especialmente em exchanges e mercados fora dos Estados Unidos, mas a Circle tem ganhado espaço em ambientes regulados e institucionais. O CriptoBR já mostrou esse avanço quando a BNY levou o USDC da Circle à custódia institucional, permitindo que clientes guardem, transfiram, emitam e resgatem o ativo dentro da estrutura do banco.
A mesma tendência apareceu em iniciativas envolvendo outras grandes marcas financeiras. Em junho, o CriptoBR também noticiou que o Open USD mirava o USDC com apoio de Visa e BlackRock, sinalizando que a disputa por stablecoins reguladas está cada vez mais ligada a bancos, gestores e redes de pagamento.
O que muda para o mercado cripto
Para o investidor, o ponto central não é apenas qual stablecoin tem maior valor de mercado, mas qual rede está sendo usada para movimentar dinheiro de forma recorrente. Volume ajustado mais alto sugere que o USDC está encontrando demanda em casos de uso que vão além de negociação especulativa, como pagamentos corporativos, liquidação entre instituições e gestão de caixa.
Isso também intensifica a pressão competitiva sobre emissores e reguladores. Se stablecoins passam a operar como infraestrutura de mercado, temas como reservas, custódia, compliance e interoperabilidade ficam mais relevantes. Esse debate já apareceu em alertas do BIS, que comparou stablecoins a estruturas mais próximas de fundos e ETFs em determinados aspectos, como o CriptoBR explicou na análise sobre como stablecoins se parecem mais com ETFs.
O dado da Visa, portanto, não encerra a disputa entre USDC e USDT. Mas ele mostra que a corrida deixou de ser apenas por capitalização de mercado. O próximo campo de batalha é distribuição institucional: quem consegue ser integrado por bancos, plataformas de pagamento e empresas que querem usar dólares tokenizados sem montar toda a infraestrutura do zero.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





