A Robinhood Chain recebeu mais de US$ 70 milhões em ETH na primeira semana após a mainnet, segundo dados citados pela Token Terminal. O avanço reforça o papel do Ethereum como ativo de gás e liquidez em redes voltadas a ações tokenizadas e DeFi.
A Robinhood Chain atraiu mais de US$ 70 milhões em ETH ponteado a partir do Ethereum na primeira semana de operação pública, em um início que coloca a nova Layer 2 da corretora no radar de investidores, traders e protocolos DeFi. O dado, divulgado pela Token Terminal e repercutido nesta sexta-feira (10), sugere que a rede pode virar uma nova fonte de demanda por ETH caso a adoção continue.
O movimento importa porque a Robinhood Chain usa ETH como token nativo de gás. Na prática, cada swap, ponte, interação com DEX ou operação em aplicativos da rede depende do ativo para pagar taxas, ainda que a própria Robinhood subsidie parte dos custos no começo. É uma diferença relevante para o Ethereum em um momento em que o mercado acompanha se novas L2s conseguem gerar uso real, e não apenas narrativas de lançamento.
ETH vira base da nova rede da Robinhood
Segundo a Crypto Times, o volume de ETH ponteado para a Robinhood Chain saltou cerca de 70 vezes na última semana e passou de US$ 70 milhões poucos dias após a mainnet pública. A publicação também cita cerca de 193 mil endereços ativos diários, 141 mil novas carteiras em um único dia e aproximadamente US$ 563 milhões em volume diário em DEXs da rede.
A Robinhood apresentou a mainnet em 1º de julho, durante o evento “The World is Flat”, como uma Layer 2 construída com a tecnologia da Arbitrum e voltada a serviços financeiros, ativos do mundo real e ações tokenizadas. No anúncio oficial, a empresa afirmou que Uniswap e Pleiades entrariam como parceiros de liquidez desde o primeiro dia, enquanto Chainlink, Alchemy e BitGo fariam parte da infraestrutura do ecossistema.
Esse desenho aproxima a rede de duas narrativas que já vinham ganhando força: a expansão institucional do Ethereum e a tokenização de ativos financeiros tradicionais. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a frente do Ethereum para atrair bancos, a disputa por infraestrutura financeira on-chain deixou de ser apenas técnica e passou a envolver corretoras, bancos e provedores de liquidez.
Ações tokenizadas encontram demanda de varejo
A proposta da Robinhood Chain é permitir negociação 24/7 de Stock Tokens para usuários elegíveis em mais de 120 países, além de uso desses ativos como colateral ou em pools de lending. A própria Robinhood descreve a rede como “AI-native” e focada em real-world assets, com integração direta ao Robinhood Wallet.
O CriptoBR já havia noticiado que a Robinhood lançou a blockchain para ações tokenizadas. A novidade agora é que a primeira semana trouxe números concretos de liquidez e uso, ainda que parte da atividade inicial tenha vindo também de negociação especulativa, incluindo memecoins dentro do novo ecossistema.
Essa combinação ajuda a explicar o interesse: para a Robinhood, ações tokenizadas ampliam a oferta global da plataforma; para o Ethereum, a rede cria mais um ambiente em que ETH é o ativo operacional; para usuários, a promessa é acesso mais simples a mercados tokenizados dentro de uma interface já conhecida.
O risco é separar tração de incentivo
Apesar do começo forte, ainda é cedo para tratar os números como demanda sustentável. Redes novas costumam concentrar incentivos, campanhas de liquidez e especulação nas primeiras semanas. A própria Robinhood disse que cobrirá taxas de gás em swaps, pontes e futuros perpétuos por um período inicial de 90 dias, sujeito a termos e condições.
O ponto de atenção é saber quanto dessa atividade permanece quando os incentivos diminuírem. Se a rede conseguir manter volume em ações tokenizadas, lending e DEXs, a Robinhood Chain pode fortalecer a tese de que corretoras tradicionais serão uma porta de entrada relevante para ativos on-chain. Se o uso cair junto com o subsídio, o lançamento ficará mais parecido com uma campanha de aquisição do que com uma mudança estrutural.
Para o mercado brasileiro, a leitura é parecida com o debate sobre tokenização e fragmentação das finanças: mais ativos indo para blockchains aumenta eficiência e acesso, mas também espalha liquidez entre redes, bridges e modelos regulatórios diferentes. A Robinhood Chain entra exatamente nesse ponto de tensão entre DeFi, corretoras tradicionais e infraestrutura pública.
Por enquanto, o sinal mais claro é que o Ethereum segue no centro da estratégia. Mesmo quando a aplicação final é uma ação tokenizada ou um produto de corretora, o ETH aparece como gás, par base e ativo de liquidez para a nova camada.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





