A Strategy voltou a acelerar as compras de Bitcoin ao adicionar 34.164 BTC por US$ 2,54 bilhões em uma única semana. O movimento leva a tesouraria da empresa a 815.061 BTC e reforça a leitura de que a companhia segue usando o mercado de capitais para ampliar exposição mesmo com o ativo perto do seu preço médio.
A Strategy, empresa de Michael Saylor, comprou mais 34.164 BTC por cerca de US$ 2,54 bilhões na última semana, segundo documento divulgado nesta segunda-feira. O lote foi adquirido a um preço médio de US$ 74.395 por moeda e representa a terceira maior compra já anunciada pela companhia.
Com a nova aquisição, a empresa passou a deter 815.061 BTC, acumulados por aproximadamente US$ 61,56 bilhões, com custo médio de US$ 75.527 por unidade. Na prática, a posição ficou muito próxima do ponto de equilíbrio com o Bitcoin negociado na região de US$ 75 mil, o que mantém a Strategy exposta a oscilações curtas, mas reforça sua aposta de longo prazo no ativo.
Compra foi financiada com ações e papel preferencial
De acordo com o comunicado da companhia e com dados publicados pelo CoinDesk, a operação foi financiada por emissões de ações ordinárias e do papel preferencial STRC. Esse modelo já virou a principal engrenagem da Strategy para seguir ampliando sua reserva de Bitcoin sem depender apenas do caixa operacional.
O movimento também mostra que a empresa não reduziu o ritmo depois da pausa observada no fim de março. Como o CriptoBR mostrou quando a Strategy pausou compras de Bitcoin após 13 semanas, o mercado vinha monitorando se a companhia retomaria a estratégia assim que voltasse a acessar capital novo. A resposta veio de forma agressiva.
A nova compra supera com folga a retomada mais modesta vista no início do mês. Em outra matéria recente, o site mostrou que a empresa havia retomado as aquisições com 4.871 BTC. Agora, a escala da operação indica que a administração segue confortável em aumentar posição mesmo após a forte recuperação do Bitcoin.
O que essa compra sinaliza para o mercado
O anúncio reforça a narrativa de demanda institucional em um momento em que os ETFs spot e outras teses corporativas voltaram ao radar. Esse pano de fundo já aparecia no fluxo recente dos fundos, como relatado na matéria sobre os ETFs de Bitcoin que atraíram US$ 471 milhões em um dia, mas a Strategy adiciona um componente diferente: uma empresa listada usando captações recorrentes para ampliar exposição direta ao ativo.
Para o investidor, isso importa porque a Strategy continua funcionando como um proxy alavancado de Bitcoin no mercado acionário. Quando a companhia compra em blocos desse tamanho, ela ajuda a sustentar a percepção de escassez e de convicção corporativa, ainda que o efeito imediato no preço dependa de liquidez, fluxo macro e sentimento de curto prazo.
Ao mesmo tempo, a operação não elimina riscos. Se o Bitcoin voltar a negociar abaixo do custo médio da tesouraria por muito tempo, a pressão sobre as ações da empresa tende a crescer. Ainda assim, o recado desta segunda-feira é claro: a Strategy não está administrando posição, está expandindo sua aposta.
Segundo o filing divulgado pela empresa, as ações da Strategy recuavam no pré-mercado dos EUA após o anúncio, sugerindo que parte dos investidores segue cautelosa com o uso intensivo de emissões para financiar novas compras. Mesmo assim, a companhia continua como a maior detentora corporativa de Bitcoin entre empresas listadas em bolsa.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





