A Sonic Labs confirmou uma troca ampla de liderança: Andre Cronje, Michael Kong e David Richardson deixam o board, enquanto Matt Visser assume como CEO. A mudança vem após o token S cair cerca de 97% desde o pico e o valor travado na rede encolher perto de 98%, aumentando a pressão por transparência e execução.
A Sonic Labs, sucessora da Fantom Foundation, anunciou uma reformulação de comando em meio a uma queda profunda do token S e da atividade DeFi na rede. Andre Cronje, Michael Kong e David Richardson estão deixando o conselho, enquanto Matt Visser assume como CEO e Kosta Kourkoumelis entra como COO.
A mudança é relevante porque Sonic foi apresentada como uma das apostas de alta performance entre as blockchains compatíveis com EVM, mas chega a este novo ciclo de gestão com confiança abalada. Segundo dados citados pelo The Defiant, o token S era negociado perto de US$ 0,031, cerca de 97% abaixo do recorde de janeiro de 2025, enquanto o TVL da rede caiu para aproximadamente US$ 20 milhões, contra um pico de US$ 1,14 bilhão em maio de 2025.
Fundadores saem das decisões de negócio
No anúncio divulgado no X, a Sonic Labs disse que Cronje, Kong e Richardson “continuam investidos” no sucesso do projeto, mas não tomarão mais decisões de negócio pela organização. A empresa afirmou que a nova fase será guiada por disciplina operacional, transparência e reconstrução da confiança dos holders.
Visser evitou prometer uma virada imediata. A mensagem central foi a de melhorar a Sonic “1% por dia”, com foco primeiro em execução e confiança, antes de um novo roteiro agressivo. A empresa também prometeu criar um comitê dedicado de risco e compliance, além de explicar publicamente decisões e seus motivos.
O movimento lembra como mudanças internas de liderança têm virado tema sensível em grandes ecossistemas cripto. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a saída de nomes da Ethereum Foundation, investidores e desenvolvedores acompanham não só tecnologia, mas também governança, orçamento e continuidade das equipes que mantêm redes críticas.
Queda do token pressiona narrativa da Sonic
A saída de figuras históricas acontece em um momento delicado para a Sonic. O projeto nasceu da transição da Fantom para uma nova rede focada em velocidade, finalização rápida e maior capacidade de execução. Na prática, porém, a queda do token e do TVL reduziu o espaço para anúncios de marketing sem entrega mensurável.
O ponto mais sensível é que a Sonic ainda precisa provar que consegue atrair liquidez, desenvolvedores e usuários recorrentes. Esse desafio não é exclusivo da rede: em um mercado no qual ferramentas multichain e bots onchain ganham espaço, como vimos na cobertura sobre o avanço multichain do Maestro, blockchains precisam competir por atividade real, não apenas por promessas técnicas.
A companhia diz que sua engenharia continuou ativa apesar da troca de comando, com centenas de pull requests em 2026, novas versões e uma rede de testes privada em andamento. Ainda assim, para holders, o teste mais objetivo será a volta de depósitos, usuários e volume onchain.
O que muda para investidores e usuários
Para quem acompanha o token S, a troca de liderança não elimina automaticamente o risco. Ela cria uma janela de reavaliação: se a nova gestão entregar comunicação clara, governança mais previsível e evolução técnica, a Sonic pode tentar recuperar parte da credibilidade perdida.
Se a reformulação ficar só no discurso, a pressão tende a continuar. Em redes de camada 1, liquidez e confiança costumam andar juntas: menos TVL reduz oportunidades de DeFi, menos oportunidades reduzem interesse de usuários, e a queda de atividade pesa novamente sobre o token.
O caso também reforça uma leitura mais ampla do ciclo atual: projetos precisam mostrar execução operacional em um ambiente em que capital está mais seletivo. Até ecossistemas com narrativas fortes, como a BNB Chain no setor de agentes de IA, têm sido avaliados por uso concreto, transações e retenção de desenvolvedores.
Por enquanto, a Sonic tenta reposicionar a conversa: menos promessa de virada rápida, mais prestação de contas. O mercado agora vai medir se esse discurso aparece nos dados da rede.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





