A Revolut informou clientes de que vai encerrar o suporte ao USDT em agosto, com bloqueio de compras já em 6 de julho. A decisão reforça a pressão regulatória sobre stablecoins e pode acelerar a migração de usuários para ativos considerados mais alinhados às regras europeias.
A Revolut, fintech britânica com forte presença em serviços cripto, notificou parte de seus usuários de que vai retirar o suporte ao Tether USDt (USDT) em agosto. Segundo o Cointelegraph, a plataforma citou preocupações regulatórias e de risco ao comunicar a mudança, em mais um sinal de que grandes empresas financeiras estão ajustando sua oferta de stablecoins.
De acordo com o aviso visto pela publicação, os clientes deixarão de conseguir comprar USDT a partir de 6 de julho de 2026. Depósitos em USDT serão encerrados em 30 de julho, e a exclusão completa está prevista para 31 de agosto. Quem ainda mantiver saldo no token após o prazo terá os valores convertidos automaticamente para a moeda-base da conta, pela taxa de câmbio do dia.
Por que a retirada do USDT importa
O USDT é a maior stablecoin do mercado e funciona como uma das principais pontes de liquidez entre corretoras, carteiras e protocolos DeFi. Quando uma plataforma de varejo com escala global restringe o ativo, o impacto não fica limitado aos usuários daquela empresa: ele pressiona concorrentes a reavaliar políticas de listagem, compliance e risco operacional.
A decisão também chega em um momento em que stablecoins estão no centro do debate regulatório. Na Europa, o MiCA elevou o padrão de exigência para emissores e prestadores de serviço, especialmente em temas como reservas, autorização, transparência e proteção ao consumidor. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre a revisão da MiCA para DeFi, staking e NFTs, reguladores europeus continuam ampliando o alcance das regras sobre criptoativos.
Na prática, usuários afetados pela Revolut terão três opções: vender USDT, retirar os tokens para uma carteira ou exchange compatível, ou aguardar a conversão automática. A última alternativa pode ser conveniente para quem tem saldo pequeno, mas reduz o controle do usuário sobre o momento da conversão e sobre eventuais custos indiretos de câmbio.
Pressão favorece stablecoins reguladas
O movimento da Revolut tende a favorecer stablecoins que já buscam uma moldura regulatória mais clara na União Europeia. Bancos, gestores e emissores tradicionais vêm testando tokens lastreados em moeda fiduciária com foco em uso institucional, pagamentos e liquidação de ativos tokenizados.
Um exemplo recente foi o lançamento da EURXT pela CACEIS, braço do Crédit Agricole, no Ethereum. A iniciativa, detalhada pelo CriptoBR na matéria sobre a stablecoin em euro do Crédit Agricole, mostra como instituições tradicionais estão tentando ocupar espaço em um mercado que antes era dominado quase exclusivamente por emissores nativos de cripto.
Para a Tether, a retirada em uma fintech relevante não significa perda imediata de domínio global. O USDT segue amplamente usado em mercados emergentes, exchanges internacionais e pares de negociação. Ainda assim, cada restrição em canais regulados reforça a divisão entre o uso global da stablecoin e sua aceitação em ambientes financeiros supervisionados.
Leitor deve revisar exposição e canais de saída
Para investidores brasileiros, a notícia serve como alerta operacional. Mesmo quem não usa Revolut deve acompanhar onde mantém stablecoins, quais redes são aceitas para saque e qual o prazo de resposta das plataformas em caso de delisting. Stablecoin não elimina risco de contraparte: ela troca volatilidade de preço por dependência de emissor, infraestrutura e regras locais.
O episódio também reforça a importância de diferenciar tamanho de mercado e aceitação regulatória. O CriptoBR mostrou recentemente que o USDT chegou a superar o Ethereum em valor de mercado por instantes, mas escala não impede que bancos digitais, exchanges ou corretoras limitem acesso quando enxergam risco jurídico.
Com a data de 31 de agosto no calendário, a medida da Revolut deve virar referência para outras plataformas que operam entre cripto e finanças tradicionais. O ponto central agora é observar se a decisão ficará restrita à fintech ou se abrirá uma nova rodada de ajustes em stablecoins dentro da Europa.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





