O Bitcoin voltou a superar US$ 63 mil neste sábado, recuperando as perdas do fim de junho em um pregão de baixa liquidez nos EUA. A alta veio junto de um avanço forte de XRP e reacendeu o debate sobre a força real do rali antes dos próximos dados de inflação americana.
O Bitcoin voltou a negociar acima de US$ 63 mil neste sábado (4), marcando uma recuperação completa das perdas vistas no fechamento de junho. Segundo dados citados pelo CoinDesk, o BTC subiu cerca de 1,4% em 24 horas e 3,6% na semana, atingindo o maior nível em aproximadamente duas semanas.
O movimento ganhou força em um ambiente macro mais favorável, após dados mais fracos de emprego nos Estados Unidos aumentarem a leitura de que o Federal Reserve pode ter menos pressão para manter uma postura dura. Ainda assim, a liquidez reduzida pelo feriado de Independência nos EUA torna o avanço mais sensível a ordens grandes e pode exagerar oscilações de curto prazo.
XRP lidera entre os principais criptoativos
Entre os maiores ativos digitais, o destaque foi o XRP. A moeda avançou mais de 5% no dia e quase 10% na semana, chegando perto de US$ 1,18 e ultrapassando o USDC em valor de mercado, de acordo com o levantamento do CoinDesk.
Essa alta ocorre logo depois de sinais de posicionamento extremo entre holders de XRP. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre XRP e o maior prejuízo histórico dos holders, métricas on-chain vinham indicando perdas médias raramente vistas, o que alguns traders interpretam como sinal contrário quando o mercado começa a reagir.
Ether também acompanhou a recuperação e subiu para perto de US$ 1.793, enquanto Solana ficou ao redor de US$ 82,50. O avanço reforça uma semana de alívio para os principais criptoativos, mas ainda não elimina o risco de volatilidade em um mercado que passou junho sob forte pressão.
ETFs ajudam, mas rali ainda precisa provar força
Outro ponto relevante é a mudança recente nos ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos. Na sexta-feira, o CriptoBR noticiou que os ETFs de Bitcoin captaram US$ 223 milhões após 10 dias de saques, encerrando uma sequência negativa que havia pesado sobre o humor institucional.
Apesar disso, o quadro ainda é misto. O próprio fluxo positivo dos ETFs veio depois de uma sequência de retiradas bilionárias, e analistas continuam observando se a demanda volta de forma consistente ou se o movimento é apenas um alívio pontual. A matéria recente sobre baleias comprando US$ 16,7 bilhões em Bitcoin contra saídas de ETFs mostra que parte da sustentação do mercado tem vindo de grandes holders, não necessariamente dos produtos negociados em bolsa.
Também há um alerta vindo dos dados de exchanges. A The Block destacou relatório da CryptoQuant indicando aumento nos depósitos de Bitcoin e altcoins em corretoras, um comportamento que costuma anteceder períodos de maior volatilidade porque sugere que mais moedas podem estar prontas para venda ou realocação.
Próximo teste vem dos dados de inflação
O ponto central para os próximos dias será saber se compradores continuam ativos quando as mesas americanas voltarem do feriado. Segundo o CoinDesk, o próximo dado de inflação dos EUA deve ser um dos principais testes para confirmar se o rali acima de US$ 63 mil tem tração ou se foi favorecido pela liquidez fina do fim de semana.
Para o investidor brasileiro, a leitura prática é simples: o rompimento de US$ 63 mil melhora o curto prazo, mas ainda não confirma uma reversão ampla. O mercado recuperou terreno, XRP e alguns majors ganharam força, e os ETFs deram sinal de vida; agora falta volume consistente para transformar o alívio em tendência.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





