A senadora Kirsten Gillibrand voltou a defender uma regra para impedir autoridades eleitas e seus cônjuges de emitir ou patrocinar ativos digitais, incluindo memecoins. A proposta ganhou força após divulgações sobre a renda cripto de Donald Trump em 2025 e pode entrar no debate sobre a legislação de mercado cripto nos EUA.
A senadora americana Kirsten Gillibrand renovou a pressão para que o Congresso dos Estados Unidos proíba autoridades eleitas e seus cônjuges de emitir ou patrocinar ativos digitais próprios, incluindo memecoins. A cobrança foi feita após novas divulgações financeiras apontarem que uma memecoin teria sido a maior fonte individual de renda de Donald Trump em 2025.
Em comunicado publicado em 3 de julho, Gillibrand afirmou que a regra deveria atingir membros do Congresso, o presidente e seus cônjuges. A senadora citou o risco de conflito de interesse em um momento em que Washington tenta avançar uma estrutura regulatória para ativos digitais, incluindo projetos como o Clarity Act e debates já abertos sobre stablecoins.
Proposta mira conflito entre cargo público e tokens próprios
Segundo o gabinete de Gillibrand, a proposta que ela defende ao lado de outros parlamentares tornaria ilegal que o presidente emitisse ou patrocinasse qualquer ativo digital, inclusive memecoins. O comunicado também menciona que a primeira-dama lançou sua própria memecoin e reportou US$ 6 milhões em receitas ligadas a NFTs e outros colecionáveis digitais.
A senadora argumenta que a discussão não é apenas partidária, mas de desenho institucional. Para ela, permitir que autoridades públicas lancem tokens próprios enquanto participam da criação das regras do setor enfraquece a proteção ao consumidor, abre espaço para autobenefício e prejudica a credibilidade da legislação cripto.
O tema se conecta a uma tensão que já vinha crescendo em Washington. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre o impasse envolvendo Trump e o veto a CBDCs nos EUA, a política cripto americana deixou de ser uma pauta técnica e virou uma disputa central entre inovação, controle estatal e interesses privados.
Renda cripto de Trump reacende pressão por regras de ética
O comunicado de Gillibrand cita novas reportagens sobre divulgações financeiras de Trump, segundo as quais US$ 636 milhões teriam vindo da emissão de uma memecoin em 2025. O CoinDesk também reportou que o presidente defendeu a renda cripto da família, afirmando que não havia nada ilegal ou errado, enquanto críticos apontam conflito de interesse pelo fato de sua administração influenciar diretamente as regras do setor.
De acordo com o CoinDesk, as divulgações indicaram pelo menos US$ 1,4 bilhão em renda ligada a cripto no ano, incluindo valores associados à memecoin, à World Liberty Financial e a uma iniciativa de stablecoin. Esse pano de fundo torna a proposta de Gillibrand mais sensível para o mercado, porque pode ser usada como moeda política nas negociações sobre novas leis de ativos digitais.
A ofensiva também conversa com o debate sobre stablecoins. O CriptoBR já explicou como o GENIUS Act pode transformar emissoras de stablecoins em compradoras silenciosas da dívida dos EUA, mostrando que a regulação cripto americana já tem efeitos potenciais além das corretoras e dos investidores de varejo.
Impacto para memecoins e projetos ligados a políticos
Se uma regra desse tipo avançar, o efeito mais direto seria limitar lançamentos de tokens associados a figuras públicas em cargos eletivos. Isso não elimina o mercado de memecoins, mas reduz uma categoria específica: ativos que se apoiam no poder político, na influência de gabinete ou na expectativa de decisões regulatórias favoráveis.
Para investidores, o ponto central é separar hype de risco jurídico. Tokens ligados a personalidades políticas podem gerar liquidez rápida, mas carregam risco de investigação, mudança regulatória e queda abrupta se a narrativa perder força. Esse padrão já apareceu em outros ciclos de memecoins, como na cobertura do CriptoBR sobre a queda de 96% do TRUMP antes de evento cripto em Mar-a-Lago.
A proposta ainda precisa virar texto legislativo com apoio suficiente para avançar. Mesmo assim, o recado é claro: a discussão sobre cripto nos EUA não ficará limitada a classificação de tokens, stablecoins e supervisão de exchanges. A pauta de ética pública entrou de vez na mesa, e pode influenciar o ritmo das próximas votações.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





