A 1inch abriu o protocolo Aqua ao público em 13 redes compatíveis com EVM, incluindo Ethereum, Base, BNB Chain, Arbitrum e Robinhood Chain. A proposta é permitir que provedores usem o mesmo saldo da carteira em várias posições de liquidez, sem dividir capital entre pools, mas ainda com riscos de smart contracts e perda impermanente.
A 1inch abriu o Aqua, seu protocolo de liquidez compartilhada, para usuários em 13 redes compatíveis com a Ethereum Virtual Machine. Segundo o CoinDesk, a interface pública já permite criar posições em redes como Ethereum, Base, BNB Chain, Arbitrum e Robinhood Chain, com um programa de incentivos estimado em cerca de US$ 1,37 milhão ao longo de três meses.
O ponto central da novidade é simples, mas relevante para DeFi: em vez de travar ou fragmentar ativos em diferentes pools, o provedor de liquidez pode manter os tokens na própria carteira e autorizar o mesmo saldo a sustentar múltiplas estratégias. Na prática, a 1inch tenta atacar um problema antigo dos AMMs, no qual parte grande do capital fica parada, fora da faixa ativa ou presa em estruturas que não capturam volume suficiente.
Como o Aqua muda a lógica de liquidez
Na arquitetura descrita pela 1inch, o Aqua funciona como uma camada de contabilidade e permissões. Os ativos continuam sob controle do usuário até que uma operação atômica seja executada. Isso significa que o protocolo não precisa receber um depósito tradicional antecipado para cada pool; ele consulta permissões e saldos para permitir que estratégias diferentes usem a mesma base de capital quando houver demanda real.
O exemplo usado pela 1inch ajuda a entender a promessa: uma carteira com US$ 100 mil poderia sustentar três posições que, juntas, cotam US$ 300 mil em liquidez. Isso não cria capital do nada. A execução depende dos ativos efetivamente disponíveis na carteira, e uma ordem pode falhar se o saldo não cobrir a operação. Ainda assim, para traders e LPs ativos, a proposta é reduzir o custo de deixar recursos espalhados entre várias posições pouco utilizadas.
A tese conversa com uma pressão que já vinha aparecendo no setor. Em julho, a própria 1inch divulgou pesquisa indicando que 85% de US$ 1,84 bilhão em liquidez concentrada analisada ficou subutilizada no primeiro semestre de 2026. Segundo o levantamento citado pelo CoinDesk, cerca de US$ 542 milhões ficaram totalmente fora das faixas ativas em uma semana média, deixando de capturar uma estimativa anual de US$ 150 milhões em taxas.
BNB Chain entra no mapa da expansão
A presença da BNB Chain no lançamento público importa porque a rede tem buscado reforçar sua posição em infraestrutura de trading on-chain, stablecoins e ativos tokenizados. O CriptoBR já mostrou esse avanço em matérias como BNB Chain lidera stablecoins com 15 mi de endereços e xStocks leva ações tokenizadas à BNB Chain.
Para ecossistemas com liquidez mais fragmentada, uma camada compartilhada pode ajudar protocolos menores a oferecer profundidade de mercado sem disputar depósitos exclusivos com os maiores pools. Esse é o tipo de eficiência que tende a ser mais visível em redes de menor liquidez, pares long tail e estratégias que competem por capital de provedores sofisticados.
Incentivos e riscos continuam no centro
O lançamento público também vem acompanhado de incentivos. De acordo com o CoinDesk, a 1inch Foundation destinou 10 milhões de tokens 1INCH e a DAO adicionou US$ 500 mil em USDC para o programa, distribuído via Merkl. Pelos preços atuais citados na reportagem, a parte em tokens equivale a aproximadamente US$ 870 mil, levando o pacote total a cerca de US$ 1,37 milhão.
Esse incentivo pode atrair os primeiros provedores, mas não elimina os riscos. A 1inch afirma que o Aqua passou por oito auditorias independentes, porém usuários ainda ficam expostos a risco de contrato inteligente, perda impermanente, movimentos bruscos de preço e estratégias mal calibradas. Como em outros produtos DeFi, eficiência de capital pode ampliar oportunidades e também tornar erros de gestão mais caros.
O debate também se conecta ao avanço de produtos DeFi voltados a usuários mais sofisticados. Recentemente, o CriptoBR cobriu como a Galaxy lançou o GOFR para crédito DeFi institucional, outro sinal de que a próxima fase do setor tenta vender infraestrutura, eficiência e controles de risco, não apenas rendimento nominal.
Por que isso importa para o usuário
Para quem usa DEXs, a promessa de liquidez compartilhada é execução melhor, menor fragmentação e mais estratégias competindo por volume. Para provedores de liquidez, a proposta é manter autocustódia e tentar fazer o mesmo capital trabalhar em mais de uma frente. Para desenvolvedores, a 1inch vende o Aqua como uma camada aberta que reduz a necessidade de criar lógica própria de depósito, saque e contabilidade.
A leitura cética é que o produto ainda precisa provar adoção fora do incentivo inicial. Se a liquidez cotada não se traduzir em execução confiável, o ganho pode ficar mais teórico do que prático. Mas, se funcionar em escala, o Aqua pode se tornar uma peça relevante na disputa entre agregadores, AMMs e novas redes que precisam de mercados mais profundos sem depender apenas de TVL travado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





