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Open USD mira USDC com apoio de Visa e BlackRock

Hillary Gonçalves by Hillary Gonçalves
junho 30, 2026
in Notícias
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Ilustração editorial sobre Open USD, stablecoins e pagamentos institucionais
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📋 Resumo

Open USD surge com apoio de nomes como Visa, Stripe, Coinbase, BlackRock e Google para disputar o mercado de stablecoins. A proposta é permitir mint e resgate sem taxas, além de repartir parte da receita das reservas com empresas participantes.

A Open USD entrou no radar do mercado nesta terça-feira (30) como uma nova tentativa de quebrar a concentração das stablecoins em poucos emissores. Segundo a CoinDesk, a iniciativa reúne Stripe, Coinbase, Visa, BlackRock e outros participantes em uma rede desenhada para compartilhar a receita das reservas, um ponto sensível para concorrentes como a Circle, emissora do USDC.

A notícia pesou sobre as ações da Circle, que chegaram a cair cerca de 8% após a divulgação, de acordo com a mesma reportagem. O movimento mostra que a disputa por stablecoins deixou de ser apenas uma briga por liquidez on-chain: agora envolve distribuição global, cartões, bancos, plataformas de pagamento e quem fica com o rendimento dos ativos que lastreiam os tokens.

O que é a Open USD

A Open USD é apresentada como uma stablecoin de dólar ligada à Open Standard, com lançamento esperado para mais adiante em 2026. A proposta, segundo The Block, é permitir que empresas participantes emitam e resgatem o token sem taxas ou limites de volume.

O diferencial está no modelo econômico. Em vez de concentrar a maior parte da receita das reservas no emissor, a rede pretende distribuir a maior parte desse rendimento entre os parceiros, descontada uma taxa de gestão. Isso muda o incentivo para empresas que já têm grande base de usuários, pois elas poderiam integrar uma stablecoin sem abrir mão totalmente da economia gerada pelo lastro.

O desenho conversa diretamente com a tendência que já vinha aparecendo em pagamentos digitais. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a entrada do BNY na custódia institucional do USDC, bancos e gestores tradicionais estão se aproximando das stablecoins não apenas como infraestrutura cripto, mas como uma nova camada de liquidação financeira.

Por que isso pressiona Circle e USDC

A Circle se tornou uma das principais vencedoras do ciclo de stablecoins ao transformar o USDC em um ativo usado por exchanges, fintechs, protocolos DeFi e instituições. O problema é que uma rede com nomes como Visa, Stripe, Coinbase e BlackRock pode disputar justamente o canal de distribuição que dá escala ao USDC.

O ponto crítico é a receita das reservas. Stablecoins lastreadas em dólar normalmente mantêm parte relevante do lastro em caixa, depósitos e títulos de curto prazo. Quando os juros estão altos, esse lastro gera rendimento. Se a Open USD conseguir devolver uma fatia maior desse rendimento aos parceiros que trazem volume, ela pode tornar o modelo mais atraente para empresas de pagamento e plataformas com milhões de usuários.

Esse debate também ajuda a explicar a aceleração regulatória no setor. Nesta manhã, o CriptoBR publicou que o Reino Unido reduziu uma exigência para stablecoins a 1%, sinal de que grandes jurisdições seguem ajustando regras para emissores e intermediários. Nos Estados Unidos, a pauta ganhou mais força depois do avanço do arcabouço federal para stablecoins, citado em reportagens sobre a Open USD.

Stablecoins viram infraestrutura de pagamento

Para o leitor brasileiro, o ponto prático é simples: stablecoins estão deixando de ser apenas um token usado em exchanges para se tornarem infraestrutura de pagamento, remessa, cartão e liquidação entre empresas. Quando gigantes de cartões e tecnologia entram no desenho econômico de uma stablecoin, o mercado passa a disputar não só usuários cripto, mas também empresas que movimentam dinheiro fora das blockchains.

A Open USD ainda precisa provar execução, governança, liquidez e confiança no lastro. Também há risco de fragmentação: quanto mais stablecoins corporativas surgem, maior a necessidade de interoperabilidade, transparência e regras claras para resgate. O alerta recente do BIS sobre stablecoins e dolarização mostra que reguladores globais estão atentos a esse crescimento.

Mesmo assim, o anúncio reforça uma mudança estrutural. A pergunta deixa de ser se stablecoins serão usadas por grandes empresas e passa a ser quem controla os trilhos, quem captura a receita das reservas e quais redes conseguirão combinar distribuição, liquidez e compliance sem perder velocidade.

Hillary Gonçalves
Hillary Gonçalves

Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.

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Tags: BlackRockCoinbasestablecoinsUSDCVisa
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