A conta de Vlad Tenev, CEO da Robinhood, foi comprometida no X e usada para promover a memecoin $VLAD, que não tinha vínculo oficial com a empresa. O caso reforça o risco de golpes em memecoins e mostra como contas verificadas ainda podem ser usadas para acelerar narrativas falsas.
A conta de Vlad Tenev, CEO e cofundador da Robinhood, foi hackeada nesta quinta-feira (23) e usada para divulgar uma memecoin chamada $VLAD como se fosse um produto ligado à companhia. A publicação, já removida, afirmava que o token seria o “mascote oficial” da Robinhood Chain e sugeria uma futura listagem no aplicativo da corretora.
A Robinhood confirmou por meio de sua conta de comunicação no X que o perfil de Tenev havia sido comprometido, segundo reportagem do The Block. O Wall Street Journal também relatou que a conta publicou um anúncio falso de memecoin e teve a imagem de perfil alterada.
Token foi marcado como possível golpe
De acordo com o The Block, o post falso foi publicado por volta de 17h24 UTC e incluía um contrato iniciado por 0x92d. O explorador da Robinhood Chain marcou o ativo como “potential scam”, enquanto a publicação não apareceu nas contas oficiais da Robinhood nem da Robinhood Crypto.
O episódio chama atenção porque ocorre em meio ao crescimento da própria Robinhood Chain, lançada em 1º de julho. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a entrada de US$ 70 milhões em ETH na primeira semana da Robinhood Chain, a rede rapidamente atraiu capital e atividade de mercado. Esse ambiente cria liquidez, mas também abre espaço para tokens oportunistas que tentam usar marcas conhecidas para ganhar tração.
O The Block citou dados da Entropy Advisors indicando cerca de US$ 9 bilhões em volume acumulado em DEXs na Robinhood Chain, com forte participação de memecoins de maior risco. Isso ajuda a explicar por que uma mensagem falsa, vinda de uma conta de alto perfil, pode virar catalisador em poucos minutos.
Risco é maior quando o golpe usa autoridade
Para o investidor comum, o ponto central não é apenas a existência de mais uma memecoin suspeita. O risco está no uso de autoridade social: quando uma conta verificada, ligada a uma empresa listada em bolsa e com operação cripto relevante, aparenta endossar um token, parte do mercado pode reagir antes de verificar contratos, liquidez e origem do anúncio.
Esse padrão já apareceu em outros ciclos de hype. Golpistas exploram urgência, listagens falsas e contratos recém-criados para capturar compradores que entram por FOMO. Em casos extremos, a liquidez pode desaparecer rapidamente ou o contrato pode conter funções que dificultam a venda. O CriptoBR acompanha esse tipo de risco também em casos como o alerta do FBI sobre US$ 11,4 bilhões em perdas com golpes cripto em 2025.
A conexão com a Robinhood Chain torna o caso mais sensível. A plataforma vem tentando se posicionar em tokenização e ativos on-chain, uma tese que ganhou força desde o anúncio da blockchain da Robinhood para ações tokenizadas. Ao mesmo tempo, a atividade em memecoins pode testar a capacidade do ecossistema de separar inovação financeira de especulação predatória.
O que observar antes de comprar tokens virais
O caso $VLAD deixa uma regra prática: anúncio em rede social não é confirmação suficiente. Antes de comprar um token viral, o investidor precisa checar se a informação aparece em canais oficiais, se o contrato é verificável, se há liquidez real e se o ativo não foi marcado por exploradores ou ferramentas de segurança.
Também é importante observar se a narrativa depende apenas de uma conta individual. Em lançamentos legítimos de empresas grandes, normalmente há comunicado coordenado, documentação, suporte no site oficial e repetição da informação em perfis corporativos. Quando só existe um post isolado, especialmente com promessa de listagem imediata, o sinal de alerta deve ser alto.
Até o fechamento desta matéria, a publicação falsa havia sido removida e a Robinhood dizia trabalhar com o X para restaurar o acesso ao perfil de Tenev. Não havia confirmação de vínculo oficial entre a companhia e a memecoin $VLAD.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





