A Smarter Web Company vendeu 177,89 BTC para quitar antecipadamente uma dívida conversível de US$ 11,7 milhões com a TOBAM. A operação elimina uma possível emissão de 7,7 milhões de ações e deixa a companhia com 2.700 BTC em tesouraria.
A Smarter Web Company, empresa britânica listada em Londres e conhecida por sua estratégia de tesouraria em Bitcoin, vendeu 177,8909127 BTC para quitar antecipadamente seu instrumento conversível “Smarter Convert” com entidades ligadas à TOBAM. O pagamento total foi de US$ 11.698.540, segundo anúncio regulatório divulgado nesta quinta-feira (23).
A venda ocorreu a um preço médio de US$ 65.762 por Bitcoin e foi feita cerca de duas semanas antes do vencimento do instrumento. Na prática, a empresa usou exatamente os BTC comprados com os recursos da operação original para encerrar a obrigação e simplificar sua estrutura de capital.
Empresa evita diluição e mantém 2.700 BTC
O ponto central para acionistas é a diluição evitada. De acordo com o comunicado, a quitação eliminou a possível emissão de 7.718.551 ações ordinárias associadas ao Smarter Convert. Esses papéis potenciais, junto com os bitcoins vendidos para pagar a dívida, foram removidos das métricas de tesouraria totalmente diluída da companhia.
Mesmo após a venda, a Smarter Web informou que segue com 2.700 BTC em caixa. O número mantém a empresa dentro do grupo de companhias públicas que tratam Bitcoin como ativo de reserva, embora a transação mostre que essas tesourarias também podem ser usadas para gestão de passivos, não apenas para acumulação.
O movimento conversa com uma discussão mais ampla no mercado. O CriptoBR já mostrou como a Strategy admitiu vender Bitcoin para recomprar dívida e como empresas do setor têm ajustado caixa e captação quando o prêmio sobre o valor dos BTC diminui.
Conversíveis perdem espaço na estratégia
Andrew Webley, CEO da Smarter Web, afirmou que o instrumento lançado em agosto de 2025 serviu como uma alternativa inovadora à alavancagem tradicional durante uma fase inicial da estratégia de Bitcoin da empresa. Agora, segundo ele, a companhia não vê instrumentos conversíveis em moeda fiduciária ou em Bitcoin como a solução de capital mais adequada para o próximo estágio.
Essa mudança importa porque parte da tese das empresas de tesouraria em Bitcoin depende da capacidade de levantar capital barato, comprar BTC e ampliar a exposição por ação. Quando o mercado exige estruturas mais caras ou potencialmente dilutivas, a conta fica menos simples.
O caso também ajuda a contextualizar a pausa recente de compras em outras tesourarias corporativas. Como reportado pelo CriptoBR, a Strategy ampliou caixa e pausou compras de Bitcoin, um sinal de que companhias expostas ao ativo estão calibrando liquidez, dívida e mercado secundário com mais cautela.
De captação a gestão ativa da tesouraria
A Smarter Web havia ganhado destaque ao ampliar sua posição em BTC com novas captações. Em cobertura anterior, o CriptoBR mostrou que a Smarter Web Company captou US$ 56 milhões após elevar reservas em Bitcoin, reforçando sua entrada no grupo de empresas que adotam o ativo como parte formal da política financeira.
A venda desta quinta-feira não representa abandono da estratégia, já que a companhia ainda mantém uma posição relevante em BTC. Mas o episódio muda o tom: o Bitcoin no balanço passa a ser tratado também como instrumento de liquidez para reduzir dívida e evitar diluição, não apenas como reserva intocável.
Para investidores, a leitura mais importante é que a próxima fase das tesourarias corporativas de Bitcoin deve ser menos sobre anúncios de compra e mais sobre qualidade da estrutura de capital. Empresas que acumulam BTC precisarão mostrar disciplina para financiar crescimento, administrar vencimentos e proteger acionistas quando o mercado não recompensa emissões agressivas.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





