Pesquisa da Nomura e da Laser Digital mostra que 79% dos investidores institucionais japoneses que estudam exposição a cripto pretendem investir em até três anos. O dado reforça o avanço da adoção institucional e sugere que o próximo ciclo pode ser puxado menos por varejo e mais por alocação profissional.
A adoção institucional de cripto no Japão segue ganhando tração. Um novo levantamento da Nomura com a Laser Digital mostra que 65% dos profissionais de investimento ouvidos já enxergam ativos digitais como ferramenta de diversificação de portfólio, enquanto 79% daqueles que consideram entrar no setor dizem que pretendem investir em até três anos.
Na prática, o estudo sugere que o debate entre gestoras, bancos e family offices está mudando de tom. Em vez de perguntar se cripto merece espaço nas carteiras, parte crescente do mercado passou a discutir como fazer essa exposição, em qual tamanho e por quais instrumentos.
Pesquisa aponta avanço gradual, não corrida imediata
Segundo a apuração divulgada pela CoinDesk com base no estudo da Nomura, a maior parte dessas instituições ainda trabalha com alocações moderadas, na faixa de 2% a 5% do portfólio. Isso indica uma postura mais cautelosa do que especulativa, mas também reforça que o interesse institucional deixou de ser periférico.
O levantamento ouviu mais de 500 profissionais do mercado japonês e apontou ainda melhora no sentimento para os próximos 12 meses. Hoje, 31% dos respondentes têm visão positiva para cripto no horizonte de um ano, ante 25% em 2024. Ao mesmo tempo, a fatia de participantes com leitura negativa encolheu.
Esse movimento conversa com sinais que o mercado já vem observando. Como o CriptoBR mostrou na matéria anterior sobre a própria pesquisa da Nomura, o uso de cripto como diversificação começou a ganhar legitimidade em ambientes antes resistentes. Também ajuda a explicar por que produtos regulados seguem atraindo atenção, como vimos na estreia do ETF de Ethereum com staking da BlackRock e na retomada das entradas em ETFs de Bitcoin.
Regulação, renda e tokenização entram no radar
A pesquisa mostra que o interesse institucional não se limita à compra direta de Bitcoin ou Ether. Mais de 60% dos entrevistados citaram interesse em staking, lending, derivativos e ativos tokenizados, um sinal de que a demanda está migrando para estratégias de geração de renda e construção de portfólio mais sofisticada.
Stablecoins também aparecem com força no radar. Cerca de 63% dos respondentes enxergam casos de uso ligados a gestão de caixa, pagamentos internacionais e investimento em títulos tokenizados. Isso ajuda a explicar por que bancos e grandes plataformas financeiras passaram a olhar o setor menos como nicho especulativo e mais como infraestrutura.
No Japão, essa mudança de percepção vem acompanhada de um ambiente regulatório mais claro. O país discutiu nos últimos meses classificação jurídica dos criptoativos, tributação e proteção ao investidor, reduzindo uma parte da incerteza que travava alocações maiores.
O que ainda trava a adoção institucional
Nem tudo está resolvido. Volatilidade, risco de contraparte e falta de modelos amplamente aceitos de valuation ainda pesam contra uma entrada mais agressiva. Mesmo assim, o ponto principal do estudo é outro: cripto deixou de ser um experimento distante para virar pauta concreta dentro das mesas institucionais.
Para o investidor brasileiro, a leitura importa por dois motivos. Primeiro, porque o Japão segue sendo um mercado relevante em estrutura regulatória e adoção financeira. Segundo, porque o avanço institucional em mercados desenvolvidos costuma se refletir em mais liquidez, mais produtos e menos resistência para o setor globalmente.
Se essa tendência continuar, o próximo salto de adoção pode vir menos do entusiasmo de curto prazo e mais da entrada gradual de capital profissional. E isso costuma mudar a qualidade, a profundidade e a estabilidade do mercado.
Leia também: a nota original da Nomura sobre a pesquisa está disponível no site da instituição e detalha como gestores japoneses estão avaliando exposição a ativos digitais em um cenário de maior clareza regulatória.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





