A BlackRock estreou nesta quinta-feira (12) o iShares Staked Ethereum Trust ETF (ETHB) na Nasdaq, tornando-se o primeiro ETF da gestora a incorporar staking de Ethereum. O produto permite que investidores obtenham exposição ao preço do ETH e, ao mesmo tempo, recebam recompensas de staking — algo que os ETFs de ether existentes até agora não ofereciam.
Como funciona o ETHB
O fundo mantém ether à vista e faz staking de uma parcela dessas reservas diretamente na rede Ethereum. Na prática, os investidores se beneficiam tanto da valorização do ativo quanto de um rendimento adicional gerado pelo mecanismo de proof-of-stake da rede — sem precisar lidar com carteiras, validadores ou infraestrutura técnica.
O ETHB cobra uma taxa de administração de 0,25%, mas a BlackRock oferece desconto temporário para 0,12% sobre os primeiros US$ 2,5 bilhões em ativos — uma estratégia agressiva para atrair capital logo no início.
Terceiro ETF cripto da BlackRock
O produto se soma ao iShares Bitcoin Trust (IBIT), que hoje administra mais de US$ 55 bilhões, e ao iShares Ethereum Trust (ETHA), com cerca de US$ 6,5 bilhões. Segundo a própria BlackRock, o iShares capturou aproximadamente 95% dos fluxos para ETPs de ativos digitais em 2025.
“Alguns investidores que já mantinham ether diretamente estavam fazendo staking e não estavam prontos para migrar para um produto negociado em bolsa porque perderiam esse recurso”, explicou Jay Jacobs, head de ETFs de ações da BlackRock nos EUA, em entrevista à CoinDesk. “Ao incorporar staking, o ETF permite manter os benefícios enquanto ganha as vantagens operacionais de uma estrutura de ETF.”
Por que isso importa
O lançamento do ETHB sinaliza uma mudança estrutural no mercado de ETFs cripto. Até agora, a maioria dos fundos de ether oferecia apenas exposição ao preço — sem staking. Isso criava uma lacuna para investidores institucionais que buscam ativos com geração de fluxo de caixa.
“Para algumas instituições, quando avaliam um investimento, querem pensar nele do ponto de vista de fluxo de caixa”, disse Jacobs. “As recompensas de staking podem tornar o ether mais comparável a outros ativos nos modelos de portfólio.”
A Grayscale já havia lançado ETFs com staking recentemente, mas a entrada da BlackRock — maior gestora de ativos do mundo, com cerca de US$ 130 bilhões em produtos cripto — dá legitimidade institucional sem precedentes ao modelo.
Contexto de mercado
O lançamento chega em um momento delicado. O Bitcoin negocia perto de US$ 70.000, mostrando resiliência apesar de tensões geopolíticas no Oriente Médio e pessimismo generalizado — o índice de medo e ganância do mercado cripto aponta para medo extremo há semanas.
Ainda assim, o BTC acumula alta de cerca de 7% desde a escalada do conflito no Irã em 28 de fevereiro, superando ativos tradicionais como S&P 500, ouro e prata no mesmo período. Isso reforça a tese de que investidores institucionais estão sustentando a demanda.
O que esperar
A BlackRock espera atrair desde traders individuais e assessores financeiros até alocadores institucionais como hedge funds e family offices. Jacobs ressaltou que alocações institucionais em ativos digitais ainda ficam nos “dígitos baixos” — entre 1% e 2% do portfólio total.
“Estamos ainda nos primeiros dias da adoção de ETFs de ativos digitais”, concluiu. “Para muitos investidores, este é o primeiro passo.”
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





