A BNB Chain fechou o primeiro trimestre com cerca de US$ 3,6 bilhões em ativos do mundo real tokenizados, alta de 60%, segundo dados citados por Bitcoin.com e Blockworks. O avanço foi puxado por Treasuries tokenizados, stablecoins e produtos institucionais de BlackRock, Franklin Templeton, Circle e Ondo.
A BNB Chain ampliou seu espaço no mercado de ativos do mundo real tokenizados, os RWAs, e chegou a aproximadamente US$ 3,6 bilhões em valor no primeiro trimestre de 2026. O crescimento de 60% no período, divulgado pelo Bitcoin.com com base em dados da Blockworks, coloca a rede no centro de uma disputa que deixou de ser apenas sobre memecoins e volume especulativo.
O ponto mais importante é a composição desse avanço. A alta foi liderada por títulos do Tesouro dos EUA tokenizados, uma categoria que tem atraído gestoras, emissores de stablecoins e investidores em busca de rendimento on-chain com lastro em instrumentos tradicionais. Segundo o levantamento, a oferta de Treasuries tokenizados na BNB Chain subiu 65%, para US$ 3,19 bilhões, com destaque para USYC, da Circle, BUIDL, da BlackRock, e BENJI, da Franklin Templeton.
Treasuries puxam a tokenização na BNB Chain
O movimento confirma uma tendência mais ampla do setor. A CoinGecko apontou em seu relatório de RWA de 2026 que o mercado de ativos tokenizados mais que triplicou desde o início de 2025, alcançando US$ 19,3 bilhões no fim do primeiro trimestre. Dentro desse total, Treasuries tokenizados seguiram como a maior classe, embora commodities, ações e ETFs tokenizados também tenham ganhado espaço.
Na prática, esses produtos tentam levar para blockchains públicas instrumentos que antes ficavam restritos a corretoras, custodiantes e plataformas financeiras tradicionais. O investidor não está comprando apenas “um token novo”: ele está acessando uma representação on-chain de um ativo financeiro, com regras de emissão, custódia, resgate e compliance que variam conforme o emissor.
A própria página institucional da BNB Chain apresenta a rede como infraestrutura para tokenização de RWA, stablecoins e mercados de capitais on-chain. O site lista BlackRock, Franklin Templeton, VanEck, Ondo, Securitize e outros nomes como participantes do ecossistema institucional da rede.
Não é só TVL: uso e liquidez ainda importam
Apesar do número bilionário, o crescimento em RWA não deve ser lido como garantia automática de demanda por BNB ou de adoção massiva no varejo. Produtos tokenizados podem carregar restrições de acesso, listas de permissão, janelas de resgate e dependência de infraestrutura fora da blockchain. Por isso, valor emitido e liquidez real nem sempre caminham juntos.
Esse cuidado é especialmente relevante porque a tokenização tem avançado em várias frentes ao mesmo tempo. Como o CriptoBR mostrou recentemente, xStocks levou ações tokenizadas à BNB Chain, enquanto ações chinesas tokenizadas na rede dispararam em volume. Em outra frente, o mercado de Treasuries tokenizados já havia superado US$ 15 bilhões em valor on-chain, reforçando que a narrativa não depende de uma única blockchain.
O diferencial da BNB Chain está na combinação entre baixo custo, stablecoins e acesso a aplicações de varejo. Segundo o Bitcoin.com, a BSC processou 1,29 bilhão de transações no trimestre e teve 2,71 milhões de usuários ativos diários, enquanto a oferta de stablecoins chegou a US$ 13,4 bilhões. A rede também reduziu tempos de bloco para 0,45 segundo, um argumento importante para produtos que dependem de execução frequente e barata.
Por que isso importa para o mercado
Para investidores, o avanço mostra que a competição entre blockchains está migrando para infraestrutura financeira. Redes que antes disputavam apenas DEXs, NFTs e memecoins agora tentam atrair emissores regulados, stablecoins, fundos tokenizados e plataformas de ações sintéticas ou tokenizadas.
Para a BNB Chain, a leitura é dupla. Por um lado, a rede demonstra capacidade de atrair produtos institucionais em um momento de queda no apetite especulativo do mercado cripto. Por outro, ainda precisa provar que esse valor tokenizado gera uso recorrente, liquidez secundária e demanda sustentável, não apenas números de emissão.
O resultado é uma notícia positiva para a tese de tokenização, mas com uma ressalva importante: RWA é uma ponte entre cripto e finanças tradicionais, não uma solução mágica. O próximo teste será mostrar se esses ativos conseguem circular, servir como colateral e sustentar aplicações úteis além do anúncio inicial.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





