A FTX confirmou uma quinta rodada de pagamentos de aproximadamente US$ 900 milhões a credores em 31 de julho de 2026. A nova distribuição eleva a recuperação acumulada de clientes elegíveis para até 105%, enquanto créditos menores da classe Convenience chegam a 120%.
A FTX Trading Ltd. e o FTX Recovery Trust anunciaram uma nova distribuição de aproximadamente US$ 900 milhões a credores da exchange falida, com início marcado para 31 de julho de 2026. Segundo o comunicado divulgado pela companhia via PRNewswire, os pagamentos serão direcionados a titulares de reivindicações aprovadas que completaram os requisitos de pré-distribuição até a data de registro de 16 de junho.
Na prática, o novo lote mantém o processo de recuperação da FTX em andamento quase quatro anos após o colapso da corretora. Os credores elegíveis devem receber os valores por meio de BitGo, Kraken ou Payoneer em até três dias úteis a partir de 31 de julho, de acordo com o plano de reorganização aprovado no Chapter 11.
Quem recebe nesta rodada
A distribuição inclui diferentes classes de credores. Clientes da classe Dotcom Customer Entitlement Claims receberão uma parcela incremental de 9%, chegando a 105% de recuperação acumulada. Clientes dos Estados Unidos também alcançarão 105%, com uma nova parcela de 5%.
Já credores gerais não garantidos e credores ligados a empréstimos de ativos digitais receberão uma distribuição incremental de 3%, levando a recuperação acumulada a 103%. A classe Convenience, que reúne reivindicações menores, terá distribuição acumulada de 120%.
O comunicado também prevê um segundo pagamento a acionistas preferenciais elegíveis. Esse repasse será feito pelo Preferred Shareholder Remission Fund Trust em 31 de julho, com US$ 18 milhões destinados ao grupo e total acumulado de US$ 95 milhões por esse fundo.
A nova etapa vem depois de outra rodada relevante do processo. Como o CriptoBR reportou anteriormente, o FTX Recovery Trust já havia programado pagamento de US$ 1,6 bilhão a credores, mostrando que o cronograma de ressarcimento continua sendo um dos principais temas herdados da quebra da corretora.
Requisitos e alerta contra golpes
Para receber em rodadas futuras, clientes e outros credores precisam concluir etapas como login no portal de reivindicações da FTX, verificação KYC, envio de formulários fiscais e cadastro em um dos provedores de distribuição indicados. No caso de acionistas preferenciais, também há exigência de certificação de titularidade e assinatura de consentimento com BitGo ou Payoneer.
A própria FTX reforçou no anúncio que credores devem ficar atentos a tentativas de phishing. A empresa afirmou que nunca pedirá que clientes conectem carteiras, um ponto sensível porque processos de recuperação de exchanges falidas costumam atrair páginas falsas, e-mails maliciosos e promessas de pagamento antecipado.
A escolha de provedores como Kraken também conecta o processo de recuperação ao mercado regulado de infraestrutura cripto. A corretora segue ampliando produtos institucionais, incluindo opções em dólar para Bitcoin e Ether, mas neste caso atua como canal operacional de distribuição para credores da massa falida.
Por que importa para o mercado
O pagamento não muda a história da FTX, mas reduz uma incerteza importante para antigos clientes. A exchange entrou em colapso em novembro de 2022, desencadeando uma das maiores crises de confiança do setor e levando Sam Bankman-Fried à prisão. Desde então, o processo de recuperação passou a ser acompanhado tanto por credores quanto por participantes do mercado, porque grandes pagamentos podem influenciar liquidez, sentimento e decisões de reinvestimento.
Ao mesmo tempo, o caso continua produzindo desdobramentos legais. Em junho, o CriptoBR mostrou que o ex-diretor da FTX Nishad Singh fechou acordo com a CFTC por US$ 3,7 milhões, reforçando que a frente judicial ainda avança em paralelo à devolução de recursos.
Para o leitor brasileiro que tinha exposição direta ou indireta à FTX, o ponto central é operacional: a elegibilidade depende de cadastro, KYC, documentação fiscal e escolha do provedor de distribuição. Para o mercado mais amplo, a quinta rodada sinaliza que o processo de ressarcimento segue ganhando previsibilidade, ainda que o trauma institucional da quebra continue servindo como referência para debates sobre custódia, governança e gestão de risco em cripto.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





