Grandes traders montaram US$ 2,5 bilhões em call spreads de Bitcoin na Deribit, mirando a faixa de US$ 70 mil a US$ 72 mil até 31 de julho. O vencimento ocorre dois dias depois da decisão de juros do Federal Reserve, tornando o Fed o principal catalisador de curto prazo para o BTC.
O mercado de opções de Bitcoin voltou a mostrar apetite por alta, mas de forma calibrada. Grandes traders compraram 20 mil contratos de call de BTC com strike em US$ 70 mil e venderam outros 20 mil contratos de call em US$ 72 mil, ambos com vencimento em 31 de julho, segundo dados da Deribit citados pelo CoinDesk. A estrutura soma cerca de US$ 2,5 bilhões em valor nocional.
A operação chama atenção porque concentra uma aposta de curto prazo justamente na semana da próxima decisão de juros do Federal Reserve, marcada para 29 de julho. Na prática, o fluxo indica que uma parte relevante do mercado profissional vê espaço para o Bitcoin sair da região de US$ 64 mil e testar novamente a área de US$ 70 mil, desde que o ambiente macro não piore.
Como funciona a aposta em US$ 72 mil
O tipo de operação visto na Deribit é conhecido como bull call spread. O trader compra uma call em um strike mais baixo, neste caso US$ 70 mil, e vende uma call em um strike mais alto, em US$ 72 mil. Isso reduz o custo inicial da posição, mas também limita o ganho máximo caso o Bitcoin avance além do teto vendido.
Traduzindo: a estrutura busca capturar uma alta moderada, não uma disparada descontrolada. Ela tende a fazer sentido quando o investidor acredita que o ativo pode subir até uma zona específica, mas não quer pagar caro por exposição aberta a qualquer rali. Por isso, o nível de US$ 72 mil vira uma espécie de alvo implícito da posição.
O movimento também conversa com o comportamento recente do BTC. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o Bitcoin testando US$ 63 mil sob pressão de chips e ETFs, o ativo ainda negocia em um mercado sensível a tecnologia, fluxo institucional e juros nos Estados Unidos. A diferença agora é que o mercado de derivativos voltou a precificar uma tentativa de recuperação.
Fed pode decidir o ritmo do Bitcoin
O calendário macro é o ponto central. O vencimento das opções ocorre em 31 de julho, apenas dois dias após a reunião do Fed. De acordo com o CoinDesk, os contratos futuros de juros indicavam probabilidade majoritária de manutenção da taxa americana na faixa de 3,5% a 3,75%, embora parte do mercado ainda precifique risco de alta ou corte.
Para o Bitcoin, uma decisão sem surpresa e uma comunicação menos dura poderiam aliviar a pressão sobre ativos de risco. Foi uma dinâmica parecida com a observada quando o BTC reagiu ao alívio em torno do Fed, tema tratado pelo CriptoBR em Bitcoin supera US$ 61 mil com alívio no Fed. O problema é que esse cenário ainda depende de inflação, petróleo e apetite por risco nas bolsas americanas.
Há um fator adicional de cautela: tensões no Oriente Médio voltaram a pressionar o preço do petróleo, o que pode reacender receios inflacionários. Se o mercado voltar a temer juros mais altos por mais tempo, a leitura positiva das opções pode perder força rapidamente. Ou seja, o fluxo é relevante, mas não elimina o risco de reversão.
Opções mostram posicionamento, não garantia
Operações desse tamanho costumam ser acompanhadas de perto porque exigem capital, liquidez e execução precisa. Ainda assim, elas não devem ser lidas como garantia de preço. O mercado de opções mostra onde grandes participantes estão se protegendo ou buscando assimetria, mas o preço à vista continua dependente de fluxo real, liquidações, ETFs e macroeconomia.
Nos últimos meses, a faixa entre US$ 60 mil e US$ 70 mil virou referência para o Bitcoin. O CriptoBR já destacou esse comportamento em Bitcoin fica 307 dias entre US$ 60 mil e US$ 70 mil. O novo dado da Deribit sugere que traders profissionais tentam antecipar uma quebra desse intervalo, mas com teto bem definido.
Para o investidor brasileiro, o sinal prático é simples: a região de US$ 70 mil volta ao radar como resistência importante, enquanto US$ 72 mil aparece como alvo técnico e psicológico para o fim do mês. Se o Fed mantiver juros e reduzir o tom de preocupação, o mercado pode ganhar combustível. Se a inflação ou o petróleo voltarem a dominar a narrativa, a aposta bilionária pode virar apenas mais um ajuste de posicionamento.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





